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O crescimento em 2011 será elevado ou baixo? – Por Paulo Barcellos

Paulo Chananeco F. de Barcellos Neto, Diretor de Economia e Riscos do Banco Cooperativo Sicredi S.A.

 

É recorrente, nesta época do ano, o aumento do interesse da sociedade a respeito das perspectivas do ambiente de negócios do país para o ano que inicia. Como será evidenciado, estamos crescendo e seguiremos na mesma direção em 2011, mas com redução da velocidade em razão das nossas restrições macro e microeconômicas. Desta forma, manter o Brasil crescendo é um desafio possível, no entanto, a velocidade deste crescimento dependerá do enfrentamento dos problemas antigos e recorrentes. 

Primeiramente, vale destacar que em 2010 o quadro externo foi muito melhor do que em 2009, com a economia mundial expandido a uma taxa próxima de 5%, após a retração de 0,6%, causada pela crise financeira. 

Mais uma vez, foram os países emergentes que impulsionaram esse resultado, ao passo que as nações ricas já se contentaram com a volta para o lado positivo, mesmo sem a garantia de ter recuperado todo o terreno cedido na crise. 

Em termos numéricos, a América Latina e a Ásia cresceram próximas de 6% e 8%, ao passo que EUA e União Européia ficaram próximos de 3% e 1,7%, respectivamente. Apesar desta melhora, muitas questões ainda estão em aberto e a recuperação da crise segue sendo dolorida e emblemática para as nações desenvolvidas, especialmente aquelas que ainda não enfrentaram todas suas fragilidades fiscais. 

Mercado Interno em 2010

No âmbito interno, a continuidade da geração de empregos, a expansão da renda e do crédito foram fortes o suficiente para manter a demanda doméstica ditando o ritmo da economia. Esta combinação de fatores favoreceu setores do comércio varejista, que no agregado cresceu 10,8%, em termos reais, mas com segmentos apresentando taxas “chinesas”, como móveis e eletrodomésticos, que chegou a 18,3% e equipamentos para escritório, informática e comunicação, com incríveis 24,1%. O segmento de construção também apresentou um desempenho muito bom, com venda de imóveis novos, financiamento imobiliário e comercialização de materiais para a construção com taxas superiores a 15%. 

Logo, não resta dúvida que o mercado interno foi o destaque econômico brasileiro do ano passado, explicando a provável expansão superior a 7,5% do PIB. Infelizmente, ao mesmo tempo em que a economia seguirá aquecida, não há como supor que esse ritmo possa será mantido. 

O ano de 2011

O ano de 2011 iniciará com a atividade econômica em processo de aceleração intensa. O carregamento estatístico, que os economistas chamam de carry-over, e que significa a ausência de qualquer expansão ou queda marginal sobre o nível do PIB fechado em 2010, permitirá a atividade já iniciar o ano com 2% de crescimento “contratado” para 2011; logo, repetir números próximos a 7% para o PIB pode não parecer tão difícil. 

Entretanto, estamos diante de claros sinais de descompasso entre a demanda e a oferta agregadas, sendo parte desta diferença complementada com importações. 

Inflação

Todavia, mesmo com resultados alentadores no curto prazo, consumir acima da capacidade de produzir ou importar, traz, dentre outros desequilíbrios, a elevação generalizada de preços, o que não garante a sustentabilidade de nada no futuro. 

Assim, evitar que a inflação fuja dos objetivos do governo e da garantia de manutenção do poder de compra da sociedade, necessariamente exigirá medidas fiscais, macroprudenciais e monetárias restritivas, o que se faz necessário visando trazer a inflação para valores mais baixos e próximos de 4,5% num horizonte não muito distante. 

Mesmo que possa parecer um esforço desnecessário desacelerar a economia e trazer a inflação para níveis compatíveis com o centro da meta, a estabilidade dos últimos anos, derivada da continuidade na gestão macroeconômica, traz benefícios imprescindíveis para países que almejam crescer sustentavelmente. Desta forma, ser otimista com 2011, como é o caso, e esperar ótimos negócios em setores eficientes é totalmente compatível com a idéia de crescimento com inflação controlada

Necessidade de um ambiente propício para o crescimento

Agora, é inegável que o desafio e o desejo que se impõem são o de encontrar soluções capazes de elevar taxa de crescimento potencial do país. A materialização dessa ambição impõe a necessidade de ações governamentais que criem um ambiente propício para o investimento, reduzam a carga de impostos, elevem a produtividade dos fatores de produção (mão-de-obra e capital) e crie um modelo de sociedade que incentive a livre iniciativa. 

Crescer é conseqüência de ações corretas, e não a causa dessas ações, assim, avançar de forma objetiva na agenda de reformas já conhecidas, como a previdenciária e a tributária, e tomar medidas pontuais no marco regulatório, podem ser um bom começo para mudar a inclinação da curva de crescimento não inflacionária do Brasil, atualmente, restrita aos avanços lentos nas reformas estruturais. 

Dessa forma, projetar uma expansão de 4,8% do PIB para 2011 deve ser visto como um copo com água até a metade, meio cheio ou meio vazio, dependendo do ponto de vista. 

Sobre a Sicredi Asset Management

A Sicredi Asset Management, hoje, está entre as 20 maiores gestoras de recursos do país. Com ativos sob administração que passam dos R$ 8 bilhões. Os investimentos em tecnologia e a qualificação dos seus profissionais dão à Sicredi Asset Management a base para um crescimento sólido, obtendo, assim, o reconhecimento dos seus investidores e do mercado. Isso é demonstrado pelos constantes destaques e prêmios conferidos ao Sicredi pelas revistas e consultorias especializadas na avaliação da indústria de fundos de investimento. 

Sobre o Sicredi

O Sicredi é um conjunto de 119 cooperativas de crédito, integradas horizontal e verticalmente

A integração horizontal representa a rede de unidades de atendimento (mais de 1.200 unidades de atendimento), distribuídas em 10 Estados* – 881 municípios. No processo de integração vertical, as cooperativas estão organizadas em cinco Cooperativas Centrais, uma Confederação, uma Fundação e um Banco Cooperativo, que controla as empresas específicas que atuam na distribuição de seguros, administração de cartões e de consórcios. Mais informações no site sicredi.com.br.
* Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Pará, Rondônia e Goiás. 

Por Paulo Chananeco F. de Barcellos Neto, Dr. – Diretor de Economia e Riscos do Banco Cooperativo Sicredi

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