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O Mercado Financeiro do Canadá

Cooperativistas do Sistema Sicredi do RS na HEC Montreal

No primeiro dia da formação na HEC Montreal (Universidade) tivemos pela manhã a apresentação de Jean Roy, do Departamento de Finanças da HEC Montreal. O conteúdo apresentado foi relacionado ao Mercado Financeiro do Canadá.

Durante a crise financeira nenhuma Instituição Financeira Canadense precisou ajuda. Este desempenho foi reconhecido pelo FMI e hoje diferentes países procuram o Canadá para descobrir o motivo deste fato.

A cultura bancária do Canadá é conservadora e além disto a regulamentação é rigorosa. O mercado financeiro canadense é concentrado, fazendo com que não haja uma concorrência feroz como em outros países. Isto gera uma boa rentabilidade sem muitos riscos.

No Canadá os bancos são regulamentados pelo governo federal e as cooperativas de crédito são regulamentadas pelo governo estadual. O Banco do Canadá (equivalente ao BACEN) não faz a fiscalização dos bancos. Por isto existe uma instituição que realiza este papel. O Banco do Canadá fiscaliza apenas o sistema de pagamentos.

A lei canadense que regula os bancos é revisada a cada 5 anos, gerando uma dinamicidade às mudanças e ao mercado. Outra característica é que nenhum acionista pode deter mais de 20% das ações. Esta regra vale para os grandes bancos, com capital superior a $ 7,5 bilhões (equivalente a US$ 7,5 bilhões). Para bancos menores os percentuais são maiores, podendo chegar a 100% das ações para os pequenos bancos. O objetivo desta diferenciação é fomentar a criação de pequenos bancos, que ao crescerem devem diversificar sua composição acionária. Com isto cerca de 50% da população canadense é proprietária direta ou indiretamente de algum banco. Isto faz com que os preços mais altos praticados pelos bancos sejam revertidos em dividendos maiores para os acionistas.

No Canadá os bancos não podem vender produtos de seguradoras nas suas agências, mesmo que a seguradora seja do mesmo grupo bancário. Este fato atende aos interesses das seguradoras e os bancos acabaram aceitando. As cooperativas de Desjardins, por terem regulamentação estadual podem negociar seguros em suas cooperativas.

O Fundo Garantidor canadense cobre até $100.000. A contribuição dos bancos para este fundo leva em conta o nível de risco de cada banco. Esta medida tem o objetivo de desincentivar os bancos a assumir muitos riscos. Para Desjardins a regulação é diferente e apesar do seguro ser o mesmo dos bancos, a contribuição é de 0,04 a 0,06% sobre os depósitos.

A taxa básica (equivalente à Selic) do Canadá é de 1%aa. Para os depositantes, atualmente, a taxa de juros é 1,5 a 3%aa. Para empréstimos a longo prazo a taxa é de cerca de 2%aa. Para empréstimos pessoais as taxas são de 8 a 10%aa. As hipotecas são de 4 a 6%aa.

A supervisão de Desjardins é feita por uma instituição de atuação estadual, a Autoridade dos Mercados Financeiros (AMF), diferentemente da supervisão que em nível nacional a que estão sujeitos os bancos.

Atualmente existem 846 cooperativas com ativos de $ 301 bilhões, com 8,9% do mercado financeiro. A participação de mercado varia muito de um estado para outro.

O Movimento de Desjardins (ativos $ 175,5 bilhões) é a 6ª maior instituição financeira do Canadá, desconsiderando neste ranking as instituições não bancárias (Sociedades Seguradoras).

Jean Roy do Departamento de Finanças da HEC Montreal

Apesar do Canadá ter 78 bancos são poucos bancos que dominam o mercado, sendo maiores do que o Movimento Desjardins:

  • o Banque Royale ($ 721 bilhões),
  • o Groupe Financier TD ($ 616 bilhões),
  • o Banque Scotia ($ 527 bilhões),
  • o Banque de Montréal ($ 413 bilhões)
  • e o Banque CIBC (US$ 363 bilhões).

As 6 maiores instituições, contando Desjardins administram ativos de $ 2,8 bilhões, dos quais Desjardins detêm 6,3% deste total. Estas instituições somadas detêm 83% do mercado bancário canadense que é de $ 3,384 bilhões.

Por Márcio Port, direto de Montreal no Canadá

1 Comentário em O Mercado Financeiro do Canadá

  1. Excelente artigo, obrigado pelas informações.

    Eu só faria umas considerações no item que trata de concentração, não me parece positivo haver concentração excessiva do mercado, cria aquelas situações de grande demais para quebrar e da captura do órgão regulador pelo regulado.

    Acredito que a quebra que ocorreu nos Estados Unidos foi mais influenciada pela concentração e diminuição da competição do que pela pulverização. Há anos ocorre o fenômeno de fusões e aquisições nos EUA, assim como a captura dos agentes estatais pelos bancos no sentido dos fiscalizadores terem uma visão cada vez mais “simpática” pelo fiscalizado, assim como uma contínua quebra das regras regulamentares.

    No Brasil, o nível de concentração chega a ser maior que o do Canadá, 84,7% dos ativos concentram-se em 6 instituições financeiras.

    Uma coisa positiva referente a concentração no teu artigo é que a sexta maior instituição é um sistema cooperativo, não sei se é uma cooperativa só ou todo um sistema a maneira do Sicredi, que é formado por dezenas de cooperativas. Se for similar ao Sicredi, acho mais saudável ainda.

    Achei bem saudável a regra de composição acionária dos bancos, eu não tinha a mínima idéia disso, mas no Brasil imagina se o Bradesco ou o Itaú iriam deixar passar uma regra dessas.

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