Presidente do Sistema OCB ressalta importância do Ano 2012, o Ano Internacional das Cooperativas

Ano Internacional das Cooperativas - 2012Lançamento oficial do Ano Internacional das Cooperativas ocorre nesta quarta-feira (14/12), em Brasília

Em 2012, o movimento cooperativista mundial vai comemorar o Ano Internacional das Cooperativas, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, o lançamento oficial ocorrerá nesta quarta-feira (14/12), na sede da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), na capital federal. Para o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, esse será um marco na história do cooperativismo e uma oportunidade para divulgar seus benefícios à sociedade. Conheça o posicionamento do dirigente sobre o tema em entrevista concedida ao portal Brasil Cooperativo. 

Sistema OCB – A ONU declarou 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas. Isso impacta de que maneira na imagem do movimento cooperativista?

Márcio Lopes de Freitas – A declaração da ONU confirma a contribuição efetiva do movimento cooperativista mundial para a redução da pobreza, a partir da geração de trabalho e renda. É um reconhecimento internacional do importante papel que tem o setor para a promoção do desenvolvimento sustentável. O cooperativismo realmente desperta nas pessoas o espírito empreendedor e as inclui social e economicamente. Tanto é assim que hoje ele mobiliza cerca de 1 bilhão de cidadãos em todo o mundo. No Brasil, especificamente, esse número chega a 30 milhões. A iniciativa das Nações Unidas nos abre também novas oportunidades, especialmente porque os olhares estarão voltados para as nossas cooperativas. Será uma oportunidade ímpar de consolidar o cooperativismo como alternativa socioeconômica sustentável, como o caminho para o crescimento de várias nações.       

Sistema OCB – No ano em que as cooperativas estarão em evidência, qual será a principal mensagem a ser transmitida?

MLF – Em 2012, teremos a chance de apresentar para toda a sociedade, com o respaldo da ONU e o apoio dos governos federais, os benefícios do cooperativismo. Vamos aproveitar esse momento para mostrar de que forma já contribuímos e podemos somar ainda mais para o desenvolvimento global, por meio da prática dos valores e princípios cooperativistas, que têm como alicerces a união e a integração. A intenção é disseminar essa essência a um número ainda maior de pessoas, em todos os cantos do mundo, e mostrar que a força desse movimento está justamente na valorização do capital humano. 

Sistema OCB – Essa ação se refletirá no número de cooperativas e de cooperados? Qual é a expectativa?

MLF – Como teremos a oportunidade de disseminar os diferenciais do cooperativismo de forma mais enfática, acreditamos que mobilizaremos mais pessoas. A tendência, em função disso, é aumentar o número de cooperados. Isso não deve ocorrer de imediato, mas gradativamente. E, nesse processo, poderemos presenciar o surgimento de novas cooperativas ou a expansão daquelas já existentes. Essa é, inclusive, uma dinâmica que tem ocorrido. As organizações estão se juntando com o objetivo de ganhar escala no mercado.

Sistema OCB – Nesse contexto, quais ações serão realizadas?

MLF – Nosso objetivo é fazer com que a população reconheça no seu dia a dia a presença e a importância das cooperativas. Para isso, estamos desenvolvendo atividades nesse sentido. Queremos mostrar que o alimento que chega às suas casas e os serviços financeiros ou de transporte podem vir de uma organização cooperativa. Da mesma maneira, o atendimento prestado por um profissional de saúde, entre tantos outros setores nos quais atuamos. Enfim, a ideia é mostrar como trabalhamos, sensibilizando-as e convidando-as a fazer parte desse movimento. O ano será marcado por muitas comemorações, em todos os estados brasileiros, com a participação das organizações do sistema OCB e de suas cooperativas.   

Sistema OCB – E a médio e longo prazos, há um planejamento predefinido?

MLF – A Aliança Cooperativa Internacional (ACI) já iniciou um trabalho de sensibilização dos representantes das Nações Unidas para que 2012 seja o primeiro ano de uma década dedicada a um fomento mais intenso à prática cooperativista. O Brasil, como membro da ACI, e nós, cooperativistas brasileiros, apoiamos essa ação e disseminaremos a ideia ao governo brasileiro, no momento oportuno.

Sistema OCB – Frente a outros países, como o cooperativismo brasileiro se posiciona?

MLF – O cooperativismo brasileiro é considerado jovem porque tem uma história recente, com pouco mais de 100 anos. Nos últimos 40 anos, o setor conquistou maior relevância, tanto econômica quanto socialmente. Mesmo assim, apresenta características muito fortes. Dos países da América Latina, por exemplo, é o que tem atuação mais diversificada, além de participar mais ativamente da economia nacional e da própria sociedade. Não significa ser melhor ou pior que o cooperativismo de outros lugares, mas um movimento com a cara de Brasil. Então, podemos dizer que as nossas cooperativas estão aproveitando os momentos que a economia nacional oferece, figurando, com certeza, entre as grandes experiências realizadas no mundo. Tanto é assim que o único presidente não europeu da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) foi um brasileiro, Roberto Rodrigues.

Sistema OCB – Como o senhor avalia o desempenho das cooperativas no Brasil, nos últimos anos?

MLF – O cooperativismo brasileiro tem conquistado um espaço cada vez maior na economia nacional, o que é consequência de um olhar voltado à profissionalização da gestão. Temos trabalhado fortemente para oferecer produtos e serviços com qualidade crescente, que se tornem referência no mercado interno e externo. E isso realmente tem ocorrido.

Hoje, nossas 6.652 cooperativas reúnem 9 milhões de cooperados e geram 298 mil empregos diretos. Juntas, elas têm uma movimentação econômico-financeira de R$ 97 bilhões. A perspectiva para este ano é de fechar em US$ 5,8 bilhões em vendas ao exterior.

Além disso, atuamos em 13 setores distintos, tanto no campo quanto nas cidades. Alguns, mais tradicionais, já se firmaram, como o agropecuário. Para se ter uma ideia, praticamente 50% de tudo que é produzido no país passa de alguma forma por uma cooperativa. Outros ramos também trabalham para ampliar e consolidar o seu espaço.

O crédito, por exemplo, tem contabilizado índices expressivos de desenvolvimento. Um levantamento do Banco Central sobre o primeiro semestre de 2011 indica que as cooperativas de crédito cresceram acima da média das outras instituições financeiras nesse período.

O cooperativismo de saúde, por sua vez, atende a um número ascendente de pessoas, assim como o de transporte. Essa é uma tendência para todas as atividades cooperativistas. Logicamente que, nesse contexto, temos de considerar o comportamento da economia brasileira, que, em certos momentos, pode proporcionar um cenário melhor para a expansão de alguns setores.    

Sistema OCB – As perspectivas para um futuro próximo estão propícias a um crescimento mais pujante?

MLF – Com certeza, há um espaço potencial para que o movimento cooperativista amplie o campo de atuação. O crescimento mais forte virá com o tempo, a partir de um amadurecimento natural, que será somado ao investimento no profissionalismo da gestão dos negócios e na evolução dos mecanismos de governança. Para isso, contamos com um ator social determinante: o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop). Temos o desafio de sensibilizar a sociedade para a prática cooperativista de forma mais incisiva no Ano Internacional das Cooperativas. 

Sistema OCB – Quais vertentes precisam trabalhadas para fomentar o seu desenvolvimento?

MLF – O crescimento das cooperativas está extremamente ligado à evolução da sociedade, ou seja, as pessoas precisam desenvolver mais a cultura da organização social. Esse é um processo que vai refletir em melhores empresas e, logicamente, melhores cooperativas. Para acelerar essa trajetória, precisamos trabalhar com mais ênfase a educação cooperativa, visando disseminar os conceitos e os princípios do cooperativismo a mais pessoas.

Ao mesmo tempo, temos de investir na boa governança, visando à transparência e à segurança, além de seguir bons modelos de gestão profissional. Nesse contexto, é preciso ter sempre em mente que a cooperativa é, acima de tudo, um negócio e, portanto, deve ser gerida com profissionalismo e competência. Assim, com certeza, contribuiremos para esse processo evolutivo. Estamos apostando nisso por meio das ações desenvolvidas pelo Sescoop. Criado há pouco mais de dez anos, ele desenvolve ações de promoção social, no sentido de criar um ambiente mais propício para a expansão do cooperativismo. Estou certo de que este é  o caminho para potencializarmos o movimento cooperativista, tornando-o mais competitivo, ágil e moderno.

Sistema OCB – E a OCB, de que forma tem atuado?

MLF – A função do órgão que representa as cooperativas é aplainar os caminhos, ou seja, criar um ambiente favorável ao seu desenvolvimento. A interlocução com os poderes constituídos da República – Executivo, Legislativo e Judiciário -, sem dúvida, está entre as ações prioritárias. Atuamos estrategicamente com o intuito de esclarecer e, ao mesmo tempo, reforçar as particularidades do cooperativismo, visando normas que atendam a essas características e contribuam para o crescimento do setor. Não menos relevante é a definição de marcos legais regulatórios que influenciarão diretamente no processo evolutivo das cooperativas. Precisamos de normas sintonizadas à realidade. No tocante à lei cooperativista, por exemplo, podemos dizer que o Brasil tem um aparato legal consistente, mesmo que originário de 1971. Mas muita coisa mudou, evoluiu, e temos de acompanhar essas alterações. Além disso, questões tributárias e regulamentações específicas para os ramos nos quais atua o segmento também estão entre as prioridades.

Sistema OCB – O cooperativismo reafirma constantemente seus diferenciais e benefícios, inclusive nos momentos de crise. O Ano 2012 também será uma oportunidade para ratificar a força do movimento?

MLF – Realmente, o cooperativismo tem reafirmado seus diferenciais em momentos dessa natureza. Foi assim na crise financeira mundial, no final de 2008 e início de 2009. Os efeitos foram sentidos pelas cooperativas, porém de forma menos impactante. O setor se mobilizou para contornar as dificuldades e criar novas oportunidades. Com a saída das tradings do mercado, a atuação do ramo crédito foi determinante para a continuidade da produção de muitos agricultores. É certo que faremos o mesmo em 2012. Haverá espaço para o desenvolvimento de todos os ramos do cooperativismo.

Sistema OCB – Para finalizar, em sua opinião, qual é o principal legado do cooperativismo?

MLF – O grande diferencial do cooperativismo é ser formado por organizações de pessoas. Estamos falando de um movimento que valoriza e prioriza o capital humano e não o lucro. Logicamente que, ao ser constituída, a cooperativa atende às necessidades sociais, mas também econômicas de um grupo. Afinal, tem o objetivo de gerar trabalho e renda com inclusão social. Fora essas questões, ser cooperativista é trabalhar em conjunto, ciente de que unidos seremos mais fortes e conquistaremos mais. É interessante ressaltar ainda que trata-se de uma atividade socialmente responsável, que promove naturalmente o desenvolvimento sustentável, gerando crescimento para as comunidades onde está presente.

Fonte: OCB

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