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Presidente da ACI, Dame Pauline Green, fala sobre o cooperativismo e sobre o Ano Internacional das Cooperativas

Durante a entrevista, Pauline Green, mostrou-se uma mulher forte, inspiradora, mas principalmente como uma pessoa que não perdeu sua capacidade de surpreender-se pela força da cooperação.

Dame Pauline Green é uma pessoa ativa no movimento cooperativo internacional durante os últimos 35 anos, com uma trajetória que compreende desde sua participação nos movimentos jovens, até seu papel de principal porta-voz no Parlamento Europeu, como membro cooperativo do parlamento. Pauline foi a primeira diretora, antes de ser secretária geral, da CooperativesUK, no Reino Unido, papel que desempenhou entre o ano de 2000 e outubro/2009. Além disto, co-presidiu Cooperatives Europe e foi Vice-Presidente da ACI Europa. Em nov/2009 foi eleita Presidente da ACI por um período de 4 anos, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo. Neste período percorreu o mundo inteiro buscando posicionar o movimento cooperativo em um patamar mais alto.

Segundo Pauline, estamos vivendo um momento delicado em decorrência da crise mundial. Para ela é vital que o cooperativismo esteja à frente deste momento, pois temos uma ótima oportunidade para demonstrar os diferenciais de uma cooperativa: somos um modelo de negócios centrado nas pessoas e que põe as pessoas no centro da tomada de decisões e não à sua mercê, como ocorre nas empresas capitalistas. “Esta é uma boa mensagem e um bom momento para dar-la”. “Um dos principais problemas é que não estamos bem preparados para utilizar as mídias sociais e as redes, para que as pessoas escutem essa mensagem básica e relevante“. Na opinião de Pauline, devemos utilizar o twitter, blogs, Facebook, e outras mídias, para divulgar nossos diferenciais, e isto tem de ser feito em 2012, Ano Internacional das Cooperativas. “Se em algum momento tivermos a oportunidade de sermos ambiciosos e de fazer a diferença neste mundo, este é o momento adequado“. A situação econômica e política é adequada, a situação em termos de tecnologia e estado de ânimo dos jovens são adequadas para escutarem nossa mensagem, temos apenas de transmití-la, complementa Pauline Green.

As diferenças culturais, linguísticas e religiosas são uma força para o cooperativismo e não uma fraqueza. Temos de convencer aqueles que estão no poder de que a economia dominante decepcionou à todos. E não se trata de trabalhar para reverter a situação, porque sabemos que não funcionará, falhará novamente e terá um efeito ainda mais devastador.

“O que precisamos fazer é convencer as pessoas de que há outra forma de fazer negócios, a forma cooperativa. A economia existe para servir a espécie humana e não ao contrário. Perdemos a noção do que é a economia e o porquê criamos o dinheiro.”

“As cooperativas baseiam-se na economia e no dinheiro para tornar a vida das pessoas mais fácil e melhor, e para dar oportunidades para as crianças. Assim, creio que nosso papel é seguir sendo uma grande rede de empresas locais, autônomas, de propriedade de seus membros e sustentável em todo o mundo.” As 300 maiores cooperativas do mundo, juntas, tem o tamanho do Canadá, um dos maiores países do mundo. “O problema é que as pessoas não nos veem como grandes, nos veem como empresas pequenas. Na realidade, somos um movimento de grande presença e impacto, e esta é a mensagem que devemos transmitir”, afirma Pauline.

Pauline Green destacou também que “as cooperativas são a melhor iniciativa que existe no mundo para reduzir a pobreza, …, precisamos de ajuda para exercer a influência que nosso tamanho tem“. O cooperativismo está buscando ser a voz que representa cada vez mais pessoas, especialmente os jovens, que “já não creem nos modelos econômicos e políticos que dominam suas vidas”. Para ela, o movimento cooperativo tem uma grande responsabilidade de transmitir aos países duramente afetados pelo desemprego, as vantagens do cooperativismo, para que recuperem a esperança perdida. “O cooperativismo tem o potencial de empregar muitas pessoas. O mundo seria um lugar distinto, se apenas uma fração do dinheiro usado para resgatar os bancos quebrados, fosse destinado às cooperativas”.

Segundo Pauline, “podemos não ter uma marca única, mas estamos unidos. Unidos por uma série de princípios e valores.” “Como movimento global temos de convencer a àqueles líderes de todas as nações que entendem o valor da economia cooperativa, para que nos ajudem a incorporar esta mensagem em suas agendas de decisão. Nossos valores definem nossa identidade. Durante séculos nossos valores serviram para reduzir conflitos, construir coesão social, dar às pessoas habilidades e experiência, desenvolver a liderança local e apoiar à todas as mulheres em sua atividade econômica e de liderança nas comunidades. As cooperativas retiraram milhões de pessoas da pobreza, com dignidade, permitindo-lhes construir seu próprio empreendimento e dando-lhes futuro. A cooperação é a melhor iniciativa que existe no mundo para reduzir a pobreza”.

Nestes primeiros 6 meses do ano de 2012, as cooperativas fizeram inúmeros eventos, comemorações e divulgações, sempre levando consigo o logotipo do Ano Internacional das Cooperativas. “Estive em todos os continentes e todos estão celebrando o Ano Internacional das Cooperativas”. Este é o maior objetivo do ano de 2012: aumentar a visibilidade do movimento, como forma de influenciar aqueles que ocupam posições de tomada de decisão a nível local e global.

Para Charles Gould, Diretor Geral da ACI, “este ano chama a atenção das pessoas, e as fazem se perguntar: porque a ONU declarou 2012 o Ano Internacional das Cooperativas? O que elas fazem de diferente? Que aspirações tem? Uma vez que são respondidas estas perguntas, se dão conta de que é uma história convincente e as pessoas começam a dizer: eu não tinha ideia. Não sabia que as cooperativas estavam em tantos países. Não sabia que esta empresa era cooperativa. É exatamente isto que nós queremos, despertar o interesse e dar-lhes mais informações.”

Fonte: ACI Américas

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