BC mantém Selic em 7,25% e abre espaço para alta

Comitê de Política Monetária tira do comunicado a expressão ‘suficientemente prolongado’; decisão de manter juros foi unânime

BRASÍLIA – O Banco Central surpreendeu o mercado financeiro e disse que pode rever sua estratégia para a política de juros neste ano, após divulgação de dados mais preocupantes em relação à inflação. O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira manter a taxa básica de juros em 7,25% ao ano, mas indicou que a Selic pode voltar a subir em breve.

Os juros estão no nível atual desde outubro, quando a instituição passou a afirmar que a estabilidade dos juros “por um período de tempo suficientemente prolongado” era a “estratégia mais adequada” para garantir a queda da inflação.

Agora, o BC diz que “irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”. O Copom volta a se reunir nos dias 16 e 17 de abril. O Copom disse ainda que a decisão foi tomada considerando “a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação”.

A decisão de manter os juros, que foi unânime, já era esperada por praticamente todo o mercado financeiro, que estava atento a possíveis mudanças no comunicado da decisão. A retirada da expressão “suficientemente prolongado” era vista por analistas como o sinal de que não seria mais possível sinalizar com a estabilidade dos juros diante das previsões cada vez piores em relação à inflação.

Até esta quarta-feira, os economistas estavam divididos em relação à possibilidade de os juros voltarem a subir este ano. A nova posição da instituição deve contribuir para reforçar as apostas de antecipação do aperto monetário. Na última reunião, em janeiro deste ano, o BC disse que o balanço de riscos para a inflação havia piorado. Por outro lado, dizia que a recuperação da economia brasileira é menos intensa que o esperado e que a crise externa ainda afeta o País. Por isso, decidiu não mexer nos juros.

Desde então, os números e previsões para a inflação só pioraram, com o acumulado em 12 meses cada vez mais próximo do limite de 6,5%. E a expectativa dos analistas é que o indicador supere o teto até o meio do ano.

As projeções de analistas do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2013 recrudesceram nesta semana, depois de duas semanas seguidas de redução. Segundo relatório de mercado Focus, divulgado pelo BC, a mediana das estimativas para o índice de inflação oficial do País passou de 5,69% para 5,70% neste ano. Para 2014, a mediana seguiu em 5,5%.

Nas últimas semanas, declarações de membros da equipe econômica levaram o mercado a aumentar as apostas de que os juros poderiam subir ainda neste ano. Há duas semanas, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que a estratégia da instituição permanecia válida e não existia risco de descontrole da inflação. Disse, por outro lado, que a postura do BC seria “adequadamente ajustada” quando necessário. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também falou sobre juros, ao afirmar que é o principal instrumento de combate à inflação.

A presidente Dilma Rousseff, por outro lado, afirmou na semana passada que, no curto prazo, a tarefa é acelerar o ritmo de crescimento da economia e estimular investimentos.

Na quinta-feira da próxima semana, será divulgada a ata da reunião desta quarta, com mais detalhes sobre a decisão. No final de março, o BC apresenta o seu Relatório Trimestral de Inflação, com novas projeções para preços e a primeira estimativa para o crescimento do PIB em 2013.

Fonte: Estadão

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