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As vantagens do crédito cooperativo em momento de incerteza econômica, por Leo Trombka

Circulo Virtuoso
Círculo virtuoso do cooperativismo. Fonte: obra “Cooperativismo Financeiro percurso histórico, perspectivas e desafios”, de Meinen e Port

Quando o momento econômico está turbulento e incerto, toda precaução com as finanças é pouca. Uma opção vantajosa, ante os bancos tradicionais, é ser cooperado de uma instituição financeira cooperativa, que é uma associação de pessoas, sem fins lucrativos, com o objetivo de propiciar produtos e serviços financeiros exclusivamente aos seus associados. Uma das principais vantagens é ser dono do negócio, podendo participar das assembleias, opinar e votar nas decisões.

A crise econômica já afeta o bolso das famílias brasileiras. Ao contrário dos bancos, que estão restringindo o crédito, as cooperativas ampliam a sua concessão, contribuindo, dessa forma, para que as pessoas físicas e jurídicas tenham acesso aos produtos e serviços financeiros para conseguir passar pela turbulência econômica que assola o país.

A lógica das instituições financeiras cooperativas é distinta da de um banco comercial. O principal objetivo é o benefício ao cooperado por meio da expansão do crédito a custos acessíveis. Isso só é possível porque o próprio participante aporta recursos no sistema. Em um quadro de contração econômica e escassez de recursos, a alternativa do crédito cooperativo é ainda mais atrativa.

Enquanto nas demais instituições financeiras se busca o capital, no cooperativismo de crédito o foco é o associado. É evidente que a cooperativa precisa obter bons resultados para arcar com seus custos e ainda dividir com os cooperados as sobras. E esta divisão será proporcional a utilização que o mesmo faz dos mesmos. Quanto mais se utiliza, maior é a participação nos resultados; e, por não terem lucro, são isentas de tributação, que implica em mais vantagem, pois, não havendo tributos, as instituições financeiras cooperativas podem praticar taxas de juros e tarifas menores que as dos bancos.

A base de captação dos recursos está nos próprios membros da cooperativa. Os cooperados aportam recursos no sistema a fim de usufruírem dos seus benefícios. É um custo de capital muito competitivo, remunerado a taxas de mercado (Selic) mais as sobras apuradas a cada exercício financeiro. Além disso, devido a esta característica, a taxa de inadimplência, apesar do aumento no atual cenário, é significativamente menor que a média do mercado uma vez que o próprio cooperado é dono do negócio. No caso da Unicred, em particular, a inadimplência das operações de crédito é ainda menor que a de seus pares, pois o associado tem um perfil de renda média elevada e estabilidade financeira.

Não podemos deixar de citar outros dois estímulos que contribuem para que as instituições financeiras cooperativas tenham este diferencial. Um deles faz parte do ato cooperativo, mencionado na constituição de 1988, que prevê a não tributação das operações realizadas entre cooperados e Cooperativas e o outro, que é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide nas operações de crédito com alíquota menor em cooperativas de crédito. Por isso, o sistema cooperativo, comparado ao sistema financeiro tradicional, vem, desde 2008, crescendo mais.

Leo Trombka
presidente do Conselho de Administração da UNICRED Brasil, vice-presidente do Conselho de Administração do FGCoop e coordenador nacional do CECO

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