A Metáfora do Cavalo Morto: O que as cooperativas precisam aprender para não cair nessa armadilha?, por Luis Claudio Silva

Imagine que você está cavalgando rumo a um destino importante. No meio do caminho, seu cavalo cai e, por mais que você tente, ele não se levanta. O que você faz? Se a resposta for continuar chicoteando o animal, oferecendo incentivos ou até organizando reuniões para discutir como fazê-lo andar, você pode estar diante de um problema muito maior do que um cavalo morto: a incapacidade de reconhecer que é hora de mudar de estratégia.

Essa metáfora, popular no mundo corporativo, ilustra o erro de insistir em práticas, processos ou modelos que já não funcionam mais. E no universo das cooperativas, onde a essência do negócio está na colaboração e no propósito coletivo, evitar essa armadilha é essencial para garantir a sustentabilidade e a relevância no mercado.

As cooperativas, assim como qualquer organização, enfrentam desafios constantes, desde mudanças regulatórias até a transformação digital e as novas expectativas dos cooperados. No entanto, algumas atitudes podem indicar que uma cooperativa está insistindo em um caminho sem saída:

Resistência à inovação – Se uma cooperativa continua apostando nos mesmos produtos e serviços sem considerar novas demandas do mercado, pode estar apenas tentando ressuscitar um modelo obsoleto.

Burocracia excessiva – Processos internos demorados, lentidão nas decisões e falta de agilidade para atender os cooperados podem indicar que algo precisa ser revisto.

Baixo engajamento dos cooperados – Se os membros não participam das assembleias, não utilizam os serviços e não enxergam valor na cooperativa, é sinal de que algo precisa mudar.

Falta de visão estratégica – Quando a liderança foca apenas na manutenção do status quo, sem considerar tendências, inovação e novas oportunidades, a cooperativa corre o risco de ficar para trás.

Como evitar a armadilha do cavalo morto?

1. Aceitar a realidade e abrir espaço para o novo

O primeiro passo é reconhecer quando um modelo, um processo ou uma estratégia já não fazem mais sentido. Isso exige coragem da liderança e uma cultura organizacional aberta ao aprendizado e à mudança.

2. Reavaliar propósito e estratégia

As cooperativas devem se perguntar constantemente: Ainda estamos resolvendo os problemas dos nossos cooperados da melhor maneira possível?. Se a resposta for incerta, é hora de revisar a estratégia e alinhar-se às novas necessidades do mercado.

3. Inovação e Digitalização

A transformação digital não é uma tendência passageira, mas uma realidade necessária. Cooperativas que investem em tecnologia para melhorar a experiência dos cooperados, otimizar processos e criar novos serviços tendem a se manter competitivas e relevantes.

4. Governança Adaptativa

Uma governança eficiente não é aquela que apenas mantém as regras, mas sim aquela que as revisa constantemente para garantir que a cooperativa continue cumprindo seu propósito. Modelos ágeis, baseados em dados e na participação ativa dos cooperados, são fundamentais.

5. Formação e Engajamento dos Cooperados

Se os cooperados não compreendem o valor da cooperativa ou não se sentem parte ativa dela, dificilmente haverá crescimento sustentável. Investir em educação cooperativista, oferecer canais de participação e incentivar a co-criação de soluções são caminhos essenciais.

Mude o cavalo, não o caminho

O problema não está em mudar de direção, mas sim em insistir em um caminho que já não leva a lugar nenhum. Cooperativas que compreendem essa lição conseguem se reinventar, adaptando-se ao futuro sem perder sua essência.

No fim das contas, não se trata apenas de inovação ou tecnologia, mas de manter viva a capacidade de gerar impacto positivo para os cooperados e para a comunidade. E isso, mais do que qualquer outra coisa, é o verdadeiro espírito cooperativista.


Luis Claudio Silva é Diretor da MundoCoop e Co-Fundador do CoopsParty Summit
Fonte: mundocoop.com.br

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