Dados do Banco Central do Brasil revelam um número que chama atenção: quase R$ 1 bilhão em valores permanecem esquecidos especificamente em cooperativas de crédito, dentro do Sistema Valores a Receber (SVR).
Esses recursos fazem parte de um montante superior a R$ 10 bilhões esquecidos no sistema financeiro nacional, mas ganham um significado especial quando analisados sob a ótica do cooperativismo financeiro.
Que valores são esses?
No caso das cooperativas de crédito, os valores esquecidos normalmente têm origem em:
• Cotas de capital de ex-associados, não resgatadas após o desligamento;
• Sobras líquidas distribuídas, mas nunca retiradas;
• Saldos residuais de contas encerradas;
• Recursos de associados falecidos, ainda não reclamados por herdeiros.
Diferentemente dos bancos tradicionais, esses valores pertencem aos donos do negócio — os próprios cooperados.
Valores financeiros esquecidos e valores cooperativistas
O dado expõe uma contradição relevante.
O cooperativismo nasce da participação ativa, do controle democrático e do sentimento de pertencimento. Ainda assim, milhões de reais permanecem parados porque associados deixaram de acompanhar sua relação com a cooperativa.
Mais do que um problema operacional, o cenário provoca uma reflexão mais ampla: quando o associado se afasta, não esquece apenas dinheiro — esquece o seu papel como dono.
Como consultar se há valores a receber
Qualquer cidadão pode consultar gratuitamente:
• Pelo Sistema Valores a Receber (SVR) do Banco Central;
• Utilizando CPF ou CNPJ, por meio da conta gov.br;
• O resgate é feito diretamente com a instituição financeira indicada no sistema.

