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HSM: Os desafios e a agenda da Governança Corporativa

A professora Mônica Carvalho, da Fundação Dom Cabral, é especialista em Governança e está finalizando Mestrado sobre o tema no Japão. Ela proferiu palestra durante a HSM ExpoManagement 2010 e muitas das informações trazidas são fruto de sua tese de mestrado e também das pesquisas que realizou para defesa de sua tese.

Segundo Mônica, as questões centrais da Governança hoje em dia são:

  • Legitimidade: clareza do papel, atribuições e poder que os conselheiros possuem, esclarecendo para todos os stakeholders.
  • Política da informação: visa melhorar o fluxo de informações entre executivos e conselheiros, para que realmente sejam dadas condições para a tomada de decisão consciente e embasada em dados e fatos.
  • Controle: criação de mecanismos que dêem real possibilidade de controlar a gestão executiva da cooperativa.
  • Leis e sanções: conhecer e avaliar o ambiente legal que disciplina a Governança Corporativa, seus limites e possibilidades.
  • Gestão do Risco: item de responsabilidade direta do Conselho, por isto da importância de se criar ferramentas que permita aos conselheiros conhecer e avaliar os riscos do negócio em que estamos inseridos, permitindo mudança de estratégia e políticas.

Valor da governança: a boa Governança agrega valor ao negócio? Esta discussão tem sido muito ampla e cabe aos conselheiros demonstrarem que sua participação efetiva na gestão da cooperativa, dentro dos limites legais e das Boas Práticas da Governança, trazem melhorias que impactam na maior geração de resultado.

A professora Mônica contou um pouco da história da Governança, sendo pela primeira vez citada nos EUA na década de 50 dentro da Teoria da Agência, que trazia o conceito do conflito de interesses entre os stakeholders, já que todos de uma forma ou outra tem interesses diretos na companhia. Quem tem o papel para mediar estes conflitos? O Conselho. Continua sua explanação dizendo que há um debate em vigor que trata do conflito de interesse X dever fiduciário dos conselheiros, ou seja, como um conselheiro que possui a responsabilidade direta da gestão poderá tomar uma decisão que venha a lhe prejudicar ou beneficiar? A resposta é a inclusão de conselheiros independentes que sem interesses diretos na decisão, tomam as decisões baseados nas melhores práticas.

Na continuação comentou do novo modelo de gestão que inclui os comitês ligados ao Conselho. Citou como exemplos de comitês que estão sendo criados: Comitê de auditoria, que tem o papel de avaliar no detalhe o trabalho do Conselho Fiscal; o Comitê de Remuneração, que define políticas e formas de remunerar os executivos, em especial em razão dos bônus atrelados ao resultado; Comitê Estratégico, que trabalha com o Planejamento Estratégico da instituição de forma continuada. Também demonstrou o organograma ideal dentro deste modelo, onde a AGO, composta pelos stakeholders é o órgão que legitima as decisões do Conselho de Administração; o Conselho tem o papel de definir as diretrizes estratégicas, assessorado pelos executivos, mas também pelos Comitês, que estão subordinados a ele e por fim, a Diretoria Executiva, que deve executar.

Finalizou sua palestra relembrando os desafios da Governança já citados e dizendo que o desafio mais difícil tem sido a profissionalização dos conselheiros, o aumento dos conselheiros independentes e a ampliação da participação dos conselheiros no dia-a-dia das corporações, o que facilitaria em muito a tomada de decisão. Também vê que as empresas tem percebido que a grande competitividade, tanto interna como em nível global tem exigido cada vez mais preparo dos executivos mas também dos conselheiros, que em primeira instância são os que definem, ou deveriam definir, os rumos da organização.

Por Solon Stapassola Stahl

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