Gestão e governança: caminhos para o sucesso das cooperativas

Temas são debatidos durante a XIII Conferência Regional da ACI-Américas, no Guarujá (SP)

Guarujá (10/10) – O profissionalismo e a transparência na gestão, aliados à adoção de uma governança moderna e cooperativa, são pontos fundamentais para que o movimento cooperativista se consolide como modelo de negócios sustentável. A todo o momento, tais questões são apontadas pelos participantes da XVIII Conferência Regional da Aliança Cooperativa Internacional para as Américas (ACI-Américas) como prioritárias ao desenvolvimento do setor e ao seu posicionamento da Década do Cooperativismo. Da mesma forma, os cooperativistas sul-americanos ressaltam a necessidade de formação de lideranças para o sucesso do negócio cooperativo.

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SISTEMA FINANCEIRO – O presidente do Banco Sicredi, Ademar Schardong, por exemplo, destacou desafios apresentados às cooperativas de crédito pela competividade do mercado financeiro nacional. Entre os principais, está o oferecimento de produtos e serviços financeiros eficientes aos associados. “As cooperativas de crédito têm de entregar o produto pretendido pelo cooperado, da mesma qualidade ou até superior ao do mercado bancário e, ao final do exercício financeiro, ainda gerar resultado. É isto que faz o cooperativismo ser um modelo interessante. Por realizar bem o seu papel, o segmento tem crescido uma média de 20% ao ano“. Segundo ele, cerca de 80% do sistema financeiro são controlados por cinco instituições – duas públicas e três privadas. Outro ponto citado por Schardong é a busca dos sistemas que atuam no cooperativismo de crédito por um balanço combinado que mostre a contabilização de patrimônio de referência. “Isso faria com que as cooperativas de credito se tornassem muito mais competitivas no mercado financeiro de varejo”, disse.

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GESTÃO TRANSPARÊNCIA – Buscando uma gestão cada vez mais profissionalizada, o setor cooperativista brasileiro trabalha por marcos legais e outros tipos de normativos que atendam às características das sociedades cooperativas. Foi o que ressaltou a analista de Monitoramento e Desenvolvimento de Cooperativas do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) Giulliana Fardini. “Um dos desafios atuais do sistema está no cumprimento ao que determina o ICPC 14, uma instrução normativa do Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade. Ela enquadra as cotas-partes dos associados como passivo da cooperativa, sendo que, na verdade, devem ser vistas como ativo, por terem um caráter de investimento”. Segundo Giulliana, a norma foi criada após a crise de 2008, para garantir mais transparência ao público das organizações de capital aberto, no qual se enquadram algumas cooperativas. “Queremos, logicamente, cumprir o que determina o normativo, mas é preciso considerar a realidade das sociedades cooperativas, por isso, devemos trabalhar juntos na construção de uma proposta de adequação”, convidou os cooperativistas sul-americanos para um esforço conjunto.

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<GOVERNANÇA COOPERATIVA – A participação ativa dos associados, dentro do que propõe a autogestão, é outro ponto determinante para o sucesso das cooperativas. Tão importante quanto, segundo Helmut Egewarth, parceiro do Sistema OCB, é a inclusão crescente de mulheres e jovens nesse processo. “É necessário sair do discurso para a prática. Podemos, por exemplo, prever nas eleições das cooperativas a inscrição de, no mínimo, três candidatos aos cargos de direção, prevendo sempre a participação de mulheres e jovens. O fato de ter três pessoas abre a possibilidade para a discussão de propostas. Outro mecanismo interessante, no sentindo de reforçar que os cooperados devem trabalhar juntos para o crescimento da cooperativa, é o compromisso público dos candidatos, de apoiar aquele que for eleito”, ressaltou.

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NOVAS LIDERANÇAS – A importância da formação de jovens lideranças para a continuidade do negócio cooperativo foi outra questão em destaque na conferência. Filhos de cooperados e integrantes do Coopa Jovem em Patrocínio, Thais Anselmo e Caciano Sangaletti, falaram sobre o tema no IX Encontro da Juventude promovido no evento. Eles apresentaram o Coopa Jovem, um projeto desenvolvido pela Cooperativa Agropecuária de Patrocínio. Segundo Thais, o objetivo é fortalecer a agropecuária na região, formando uma juventude consciente e atuante na cooperativa. Os dois jovens integraram o grupo do Sistema Ocemg que representou Minas Gerais na conferência.

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CONFERÊNCIA – O evento, que conta com o apoio do Sistema OCB, também é uma realização do Sistema Unimed. Acompanhe no Informativo OCB outros temas debatidos durante a XVIII Conferência Regional da ACI-Américas.

Fonte: OCB

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