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Intercooperação é o futuro do cooperativismo, por Carlos Alberto dos Santos

Em 27 de setembro, o Rio de Janeiro sediou a Conferência das Lideranças do Cooperativismo de Crédito – CLICC Rio 2020 (www.clicc.net.br/rio2020). O evento aconteceu no auditório da Bolsa de Valores, na Praça XV, coração dos resultados das recentes obras de reurbanização que deram a feição que a cidade, há tempos, merecia.

A Conferência reuniu 186 dirigentes e executivos do Sicoob, Sicredi e Unicred que participaram ativamente de um dia inteiro de apresentações e debates. A CLICC Rio 2020 possibilitou a identificação de desafios comuns e o potencial de ações conjuntas para fortalecer o cooperativismo financeiro fluminense, ao mesmo tempo em que se preservou a identidade e os nichos de atuação de cada sistema.

Os desafios são múltiplos e concatenados: desde a grande velocidade de introdução das novas tecnologias de comunicação e informação no mercado financeiro, passando pelas mudanças demográficas e do marco regulatório chegando a queda das taxas de juros. Em seu conjunto, eles impulsionam o acirramento da concorrência no mercado e, com ela, a necessidade das cooperativas oferecerem produtos e serviços financeiros de qualidade a preços competitivos.

São desafios que determinam movimentos em favor da inclusão financeira, do fortalecimento e expansão do cooperativismo financeiro, instrumento do desenvolvimento local sustentável e de obtenção dos ganhos que o Brasil precisa em termos de competitividade econômica e de combate às desigualdades sociais e regionais.

A crescente participação das instituições financeiras cooperativas no mercado financeiro ocorrem no ambiente macroeconômico bastante difícil dos últimos anos e de grandes carências e, portanto, oportunidades no sistema financeiro nacional.

Enquanto em 2008, 72,4% dos CPFs possuíam relacionamento bancário, hoje já são 90,4%, dos quais 60% contam apenas com sua conta corrente, geralmente para recebimento de salários e pensões. Apenas 34% contratam crédito em sua instituição financeira. Neste quadro de alta bancarização com escasso acesso ao crédito e demais serviços financeiro, destaca-se que 57% dos clientes já realizam transações por meio do mobile e internet banking.

É neste contexto nacional que se insere o cooperativismo de crédito do Rio de Janeiro. As 55 cooperativas de crédito que atuam no estado estão presentes em 39% dos municípios, quando a média de cobertura nacional é de 45%. Isso pode ser interpretado de duas formas. Vamos continuar falando apenas da ampliação da presença física, da cobertura espacial? Ou vamos focar na ampliação da participação de mercado, traduzido em maior número de associados, maior cesta de produtos e do volume de operações? Dito de outra forma, qual a melhor estratégia para aumentar as economias de escala e de escopo de nossas cooperativas?

Os limites e as possibilidades de atuação do cooperativismo financeiro são fortemente influenciados pelo ambiente regulatório. Profissionalização da gestão, consolidação da governança, gestão de riscos eficiente e ampliação da atuação das cooperativas são os principais vetores do marco regulatório em constante aperfeiçoamento por um Banco Central altamente proativo e incentivador do segmento.

A homenagem a Luiz Edson Feltrim, ex-diretor do Bacen, na abertura da CLICC Rio 2020, fez jus a sua relevante contribuição para evolução do marco regulatório do cooperativismo financeiro nas últimas duas décadas.

A intercooperação entre os sistemas cooperativos fortalecem o segmento e abre novas perspectivas. E para além do ramo crédito, a intercooperação entre todos os seus ramos é a chave para consolidação e crescimento sustentável de todo o cooperativismo e da economia social.

O exemplo do Rio de Janeiro é ilustrativo. O total de cooperados das 464 cooperativas fluminenses soma 162.792 cooperados, destes 88.151 participam das 55 cooperativas de crédito do estado. Ou seja, para cada 2 cooperados no estado apenas 1 é associado a uma cooperativa de crédito. Ou seja, os quase 80.000 cooperados dos outros ramos possuem conta corrente em um banco comercial, não em uma cooperativa de crédito. E as suas cooperativas, onde elas movimentam os seus recursos financeiros?

A CLICC Rio 2020 foi capaz de montar cenários promissores para a atuação do segmento. Também ficaram claros os avanços obtidos e o desafio permanente de que eles resultem em ganhos efetivos para os cooperados e suas comunidades.

Intercooperação é o nome do jogo!

Carlos Alberto dos Santos é Economista, professor e consultor, COSINERGIA Finanças & Empreendedorismo, contato@cosinergia.com

3 Comentários em Intercooperação é o futuro do cooperativismo, por Carlos Alberto dos Santos

  1. O Estado do Rio de Janeiro vive um momento de incertezas e muitas preocupações. Segurança Pública e Saúde praticamente falida. O Cooperativismo Financeiro deve e pode contribuir para redução das desigualdades existentes entre as camadas sociais. Precisamos investir com mais intensidade, poucos municípios do estado possuem Cooperativas de Crédito. Este é o momento de difundirmos o Cooperativismo Financeiro no Estado do Rio de Janeiro.

  2. Parabéns Carlos Alberto. Suas pesquisas e atuação constante nos meios cooperativistas são exemplos para nós que vestimos a camisa do cooperativismo de crédito

  3. É isso aí, Carlos Alberto dos Santos. É justamente em momentos de crise, de dificuldades, que o Cooperativismo mostra a sua força, em especial o Cooperativismo Financeiro. É o momento em que as pessoas precisam unir forças em torno de objetivos comuns. Nesse contexto, as Cooperativas Financeiras são fantásticos agentes de desenvolvimento econômico e social, de forma sustentável, das comunidades onde estão inseridas. Cooperação e sucesso para todos nós. Grande abraço!

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