“O sistema financeiro cooperativo vem registrando expansão, aumentando e democratizando o acesso aos recursos financeiros”, diz Ênio Meinen

O que é uma cooperativa de crédito ou instituição financeira cooperativa? Por que escolher uma cooperativa financeira ao invés de um banco tradicional para fazer negócios? Quais os riscos das pessoas perderem dinheiro neste modelo de negócio? Na quinta-feira, 16, o diretor de Operações do Banco Cooperativo do Brasil do Brasil (Bancoob) e do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), Ênio Meinen, na live de IstoÉ Dinheiro, deu respostas às questões citadas acima. Um dos nomes mais renomados do cooperativismo de crédito do País, Meinem foi entrevistado pelo editor de finanças da revista IstoÉ Dinheiro, Carlos Valim. “Nós somos o sexto agente financeiro de todo o mercado financeiro brasileiro”, afirma.

Na conversa, quase que uma aula de cooperativismo financeiro, Meinem revisitou as origens do cooperativismo, lembrou dos anos “desérticos para as cooperativas” e avaliou o papel delas diante das crises (econômica e financeira) atual e como são alternativas de acesso ao crédito liberado pelos diversos mecanismos criados pelo governo para proteger as pequenas e médias empresas.

+ Sicoob atinge limite do Pronampe e pede mais alguns “bilhões” para o governo, diz diretor
+ Pronampe: pedidos ao Sicoob somam R$ 500 mi em 1 dia, 41% do limite

As instituições financeiras cooperativas já formam a segunda maior rede de atendimento de serviços bancários do país, somando mais de 6 mil pontos de atendimento, 12 milhões de associados, presente em mais de cinco mil municípios brasileiros.

Ele também falou sobre o bom momento que o cooperativismo vem vivendo nos últimos anos, apesar das crises econômicas e de baixo crédito dos últimos meses. “O sistema financeiro cooperativo vem registrando expansão, aumentando e democratizando o acesso aos recursos financeiros”, avalia.

“A carteira de crédito cooperativo chegou a crescer até 25%. Proporcionalmente, a quantidade de pessoas jurídicas, principalmente de pequenos negócios, que acabam compondo o quadro social das cooperativas é o dobro do das pessoas físicas”, diz.

Há 35 anos no setor, Meinen dedica-se ao fortalecimento e à busca de melhorias para o segmento e experiências no cooperativismo financeiro. Neste ano, “a expansão se nós pegarmos, de janeiro a julho, também tem se mantido na ordem de 30%, principalmente para o segmento do pequeno negócio. Geralmente, são aqueles que não conseguem barganhar com o seu relacionamento num sistema bancário convencional e não tem poder de fogo.”

Em suma, Meinen diz que o principal objetivo das cooperativas é promover o desenvolvimento econômico e social dos seus cooperados, proporcionando serviços financeiros a custos inferiores em relação aos do sistema financeiro bancário tradicional.

Ele explica, durante a entrevista em live, que as cooperativas financeiras (ou cooperativas de crédito) oferecem praticamente os mesmos serviços que os bancos – conta corrente, cartões de crédito e débito, poupanças e outras aplicações, linhas de crédito, etc.

No entanto, uma cooperativa financeira é uma sociedade de pessoas, e não de capital, por isso não visa ao lucro. Sendo assim, os associados têm acesso a tarifas e taxas de juros diferenciados nas operações financeiras, além de participarem das decisões e dos resultados econômicos (sobras) da instituição, ao final de cada exercício.

“O sócio é o dono”, afirma o executivo. Em termos práticos, “quem abre uma conta não é apenas um cliente ou um acionista, mas sim um dos proprietários. Ao invés dos ganhos irem para um pequeno grupo de acionistas, o resultado gerado é dividido com os cooperados. Trata-se de um modelo mais sustentável, igualitário e democrático”, entende.

Advogado, Ênio Meinen, ao analisar o cenário econômico, financeiro e o crescimento do cooperativismo, média 20% nos últimos anos, afirma que é com as baixas taxas que as cooperativas de crédito ganham espaço e maiores chances de adesão da população. Além disso, o acesso fácil e rápido a linhas de crédito com juros melhores do que os praticados no mercado.

Na entrevista, ele detalha o que talvez seja um dos maiores entraves para as pessoas optarem pelo sistema bancário tradicional em vez de trabalharem com o cooperativismo financeiro: os riscos dos negócios.

Mas lembra que há garantias no segmento. “O sistema bancário brasileiro é muito seguro. Os cooperados contam com o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), que assegura créditos de até R$ 250 mil, por CPF, CNPJ, em caso de intervenção ou de liquidação extrajudicial de cooperativas”, explica.

Quando perguntado do por que o cooperativismo financeiro ainda é desconhecido do público em geral, ele avalia. “A culpa talvez seja nossa, de comunicação. Ela poderia ser um pouco mais impactante se pudesse explorar um pouco mais os diferenciais societários. A gente tem consciência disso e estamos começando a mudar. Tenho que entregar comodidade, segurança e, enfim, melhorar meus processos. Tal qual um banco, que oferece para o seu cliente. Porque o cooperado tem o lado dele como usuário, e não quer nem saber. Nosso grande desafio é fazer diferente para alcançar o mesmo resultado de uma grande instituição bancária. Ser competitivo e continuar oferecendo serviços mais baratos que oferecem os bancos tradicionais”, finaliza.

Fonte: istoedinheiro.com.br

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*