Governança para o desenvolvimento contínuo das cooperativas

Nos últimos anos alguns pilares começaram a ditar a forma como empresas e mercado atuam . Entre os vários tópicos que entraram na discussão, o ESG se destacou e continua a ditar tendências. Um de seus pilares, a governança, tem sido vista com grandes olhos, considerada a base para que o mercado continue a desenvolver, sem deixar de lado as novas demandas da sociedade.

No cooperativismo, a boa governança tem sido fundamental para a expansão do movimento. Em um momento onde cooperados escolhem suas novas lideranças, pensar na melhor figura para desenvolver uma governança assertiva é essencial.

Mas como a governança – sobretudo a cooperativa – ajuda o movimento a se destacar? E quais serão as novidades do tema nos próximos meses? Para desvendar o real papel da Governança no cooperativismo, a MundoCoop conversou com exclusividade com o Diretor de Produtos e Negócios da Central Ailos, Adelino Sasse.

Confira a entrevista na íntegra!

MundoCoop: Estamos iniciando um novo ano, e junto a ele começa um novo ciclo nas cooperativas. Em relação ao tema ‘Governança cooperativa’, que transformações devem começar a despontar dentro das cooperativas?

Começando um novo ano, a governança cooperativa tem o papel fundamental de inspirar. Talvez o que de mais importante entregamos à sociedade como um todo seja a motivação para que nossas cooperativas sigam cooperando, com responsabilidade e colocando as pessoas em primeiro lugar.

Em 2022, a Lei complementar Nº 130 deve ser atualizada, trazendo novidades para todos os seguimentos do cooperativismo a respeito de governança. Acredito que, em função da velocidade das transformações que o mundo inteiro está vivendo, as cooperativas também precisarão estar mais preparadas, buscando compor melhor seus conselhos administrativos e tendo pessoas de diferentes áreas, já pensando na transformação digital, indústria 4.0, internet 5G, entre outros pontos. É imprescindível também ter em seus conselhos a diversidade, já que as cooperativas nada mais são que um reflexo da sociedade. É preciso colocar em prática a inovação e repensar os negócios do futuro.

MundoCoop: Atualmente, quais os maiores desafios do cooperativismo em relação à governança?

Para mim, o maior desafio do cooperativismo em relação à governança é realmente abrir a cabeça para o novo, entender que o mundo está mudando e ficando cada vez mais exigente, assim como nossos cooperados. Muitas vezes, ficamos presos em modelos de governança já antigos por receio de conhecer o novo e evoluir. A lei vem justamente para garantir, nos conselhos, pessoas que representem os cooperados de maneira adequada. A grande inovação seriam os conselhos consultivos para trazer novas ideias, garantindo a representatividade e resultando em ideias novas e mais próximas do dia a dia do cooperado.

MundoCoop: O cooperativismo segue crescendo a cada ano, e é essencial que todo o setor trabalhe para que esse ritmo se mantenha. Qual o papel da governança na missão de buscar novos cooperados? O que as diretorias podem fazer para ajudar neste processo?

O cooperativismo vem crescendo muito e esse ritmo deve acelerar. As diretorias têm um papel significativo nesse movimento e, por isso, precisam entender a fundo o cooperativismo. Focar no que realmente importa para as pessoas, sem deixar de lado o jeito cooperativista de ser. As pessoas buscam serviços de qualidade e diferenciais, por isso é tão importante que os diretores estejam atentos ao mercado, para que as cooperativas atuem de forma profissional e competitiva com o mercado, sempre entregando não apenas o resultado econômico, mas também o cuidado com as pessoas, mantendo a relação humanizada. Dessa forma, o ritmo de crescimento aumentará ainda mais. O cooperativismo precisa também quebrar barreiras e, por isso, as diretorias e conselhos devem construir redes entre si para criar soluções que possam beneficiar cooperados de várias cooperativas diferentes, e até segmentos diferentes, para que isso possa entregar valor cada vez maior para a sociedade.

MundoCoop: Em um momento onde cooperados estão elegendo suas novas lideranças, que tópicos devem ser levados em consideração pela comunidade cooperativista? Em 2022, qual será o perfil da liderança nas cooperativas?

Nós precisamos da experiência e do olhar cooperativo das pessoas mais velhas, mas é preciso também fazer um mix com pessoas jovens. O quadro de conselhos e até da diretoria deve refletir os cooperados. As lideranças devem vir desse mix, refletindo a sua diversidade, tanto de gênero e idade, como de perfil socioeconômico, pensando nos cooperados que tenham condições de trazer conhecimento para colaborar com o crescimento do cooperativismo. É preciso ter esse perfil empreendedor dentro do conselho e da diretoria, para que as novas lideranças possam buscar esses pilares para refletir a sociedade dentro da diretoria. Por isso é tão importante ter pessoas que pensem diferente, para gerar diversidade de ideias.

MundoCoop: Voltando nossos olhos para os últimos anos, como as cooperativas atuaram diante das recentes crises, sanitária e econômica?

Nos últimos anos, o Brasil e todo o mundo vem enfrentando crises econômicas, políticas e sanitárias. Tudo isso abalou o dia a dia das cooperativas. Porém, tendo esse olhar humanizado, muitas pararam por um momento para entender como poderiam ajudar as pessoas de forma individual, assim como as comunidade onde elas estavam inseridas. Isso fez com que, mesmo em meio a crises, as cooperativas continuassem crescendo e ganhando novos cooperados, já que outras instituições financeiras muitas vezes negavam crédito. Enquanto isso, as cooperativas abraçavam a comunidade, tanto pessoas físicas quanto o incentivo a pequenos empresários, movimentando, assim, a economia local.

MundoCoop: Quais as tendências da governança cooperativa em 2022 e além?

Entendo que o futuro precisará das cooperativas porque é necessário ter esse olhar para as pessoas e para a comunidade local. Caso contrário, teremos empregos só de última linha, como é o exemplo da Amazon, do Mercado Livre, entre outros; eles vão praticamente cuidar do comércio. As cooperativas vão precisar achar seu caminho e criar um marketplace coletivo, construindo as conexões do futuro para trazer o olhar para as pessoas de verdade. Se não for assim, em pouco tempo todo mundo estará preocupado apenas em vender, sem olhar para a pessoa por trás da venda. A governança cooperativa deve ter esse olhar para que possamos construir uma sociedade mais justa, abraçando cada vez mais pessoas, tendo esse cuidado humanizado que é característico do cooperativismo. O futuro é sobre entregar valor para as pessoas e para a comunidade, tendo uma visão do coletivo.

Fonte: mundocoop.com.br

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