Cooperativas preenchem ausência de bancos

Não fosse uma agência do Sicredi perto de sua casa, o aposentado Mário de Oliveira, 60 anos, teria de ir ao menos uma vez por mês até o Centro de Londrina receber seu pagamento – uma viagem de quase 50 quilômetros, desde o Distrito de Guaravera, onde mora. De ônibus, levaria até quatro horas. De táxi, gastaria cerca de R$ 100. “Para mim, o Sicredi é uma mão na roda”, diz ele.

Assim como o aposentado, moradores de outras 11 localidades, no Norte e do Noroeste do Paraná, têm a cooperativa de crédito como única opção de serviços bancários.

Este ramo do cooperativismo vem crescendo em ritmo acelerado no País. A participação das cooperativas no total dos depósitos bancários feitos pelos brasileiros cresceu de 3% para 5% desde 2009.

Somente em Guaravera, distrito localizado na zona sul de Londrina, são R$ 11,5 milhões em depósitos. Quase um quarto da população de 5 mil habitantes é associado ao Sicredi União. Numa agência de 150 metros quadrados, com cinco funcionários, boa parte dos moradores locais paga suas contas, faz depósitos e saques. “A agência tem R$ 2,5 milhões em empréstimos realizados para atividades comerciais, mais R$ 1,5 milhão em crédito rural”, conta o gerente Vinícius Eduardo de Souza Vanzela.

Dos 1,2 mil associados, 80% são da área rural – entre agricultores e empregados. Os demais 20% são aposentados, pessoas que trabalham em outros locais ou funcionários das principais empresas do distrito, como a Itimura Têxtil. Fabricante e exportadora de barbante, a indústria paga os seus 70 colaboradores por meio do Sicredi. São cerca de R$ 100 mil por mês.

E não é só isso. Apesar de manter contas no Itaú, Banco do Brasil e Bradesco, a indústria prioriza a cooperativa de crédito na movimentação geral dos seus recursos. “Além de estar aqui perto, oferece um sistema personalizado para a gente”, explica Ademir Bueno, responsável pela contabilidade da empresa.

Guaravera já teve agência de bancos comerciais. O antigo Banestado marcou presença por lá. Mas, na opinião do gerente do Sicredi, a segurança pública precária na comunidade espanta os agentes financeiros. “Temos um único policial militar responsável por todo distrito. E a viatura que atende Guaravera é a mesma do Distrito de São Luiz”, conta Vanzela.

Para evitar arrombamentos, o Sicredi teve de investir em segurança própria. Uma porta de aço com temporizador desce minutos após o fechamento dos caixas eletrônicos, às 22 horas. E reabre automaticamente pouco antes das 6 horas da manhã para liberar os equipamentos aos associados.

Fonte: Folha de Londrina

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