Sua Cooperativa Financeira está pronta para a era pós-digital?

Smartphone with finance and market icons and symbols concept
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Startups de perfil financeiro oferecem serviços disruptivos e podem ser ao invés de concorrência, parceiras das Cooperativas Financeiras.

A digitalização dos serviços financeiros no Brasil já é realidade. Metamorfoses no jeito de servir soluções financeiras vêm sendo lideradas por startups, que uniram eficiência operacional a taxas mais justas. Os bancos tradicionais perceberam a chegada das fintechs com seus diferenciais no modelo de prestação de serviços e nos valores mais amigáveis das taxas. A questão é – O que as Cooperativas Financeiras podem aprender com as fintechs?

Responder tal indagação é tarefa a base de observação. Não precisa ostentar o título de especialista em gestão de instituições financeiras para dar um prognóstico da situação. Em suma, há de convir que, ambos os modelos de serviços financeiros têm em suas essências, propostas semelhantes no que concerne ser mais justas e transparentes aos seus clientes e cooperados. Há de convir ainda que as duas protagonistas deste artigo cultivam em seus DNAs Corporativos uma causa em comum: a democratização dos serviços bancários de boa qualidade por taxas admiráveis.

Num comparativo entre fintechs e Cooperativas Financeiras fica claro que, enquanto a primeira ainda preserva a cultura do lucro, as Cooperativas são adeptas às sobras e também exímias educadoras financeiras, pois entendem que o principio da estabilidade da Cooperativa começa com a saúde econômica de cada cooperado. Outro ponto que destoa entre elas, finda na realidade que as startups financeiras são sobremaneira virtuais, focam na experiência do cliente, enquanto as Cooperativas, ainda engatinham na digitalização, ainda como foco restrito na satisfação do cooperado, sem terem alcançado o patamar de excepcional preocupação com as melhores experiências dos cooperados em relação aos serviços digitais que as Cooperativas podem oferecer.

Contudo, assim como os bancos tradicionais, as Cooperativas Financeiras, hoje, têm bases legais de regulamentação, e por essa razão principal as fintechs não são uma ameaça determinante às Cooperativas Financeiras, mas devem ser interpretadas como potenciais parceiras, passíveis de ser o caminho para a adaptação digital mais certeira das Cooperativas Financeiras.

Atualmente, está entre os desafios das Cooperativas Financeiras, a prioridade em despertar o interesse de uma nova geração de cooperados. Jovens adultos engajados no digital, que primam pela economia de tempo e transparência para solucionar suas demandas financeiras diárias, e tudo aliado à rapidez e praticidade que só a tecnologia pode proporcionar.

Em 2013, pesquisa do Grupo Capgemini já indicava que até 2017 haveria uma drástica redução no uso dos caixas eletrônicos e das agências bancárias. Eis que o ano 2017 está logo ali, e essa afirmação cada vez mais evidencia o firmamento da era pós-digital, prova disso é a recente notícia que o Banco do Brasil anuncia plano para fechar 402 agências em todo país. Diante dessa disrupção encabeçada pelas fintechs, cabe às Cooperativas Financeiras incorporarem em seus serviços mais facilidade de uso, rapidez dos serviços e principalmente, experiências positivas aos associados. Em 2016 os bancos tradicionais admitiram não estarem preparados para responder à proposta das fintechs, assim, a consequência foi a perda de mercado.

A justificativa mais racional para a preferência digital dos serviços financeiros representa a decisão do público jovem que não faz questão de ir até um ponto de atendimento estacionário (agência bancária), e sim resolver tudo por canais de autoatendimento via internet por meio de computadores, tablets e smartphones. De acordo com informações de Ênio Meinen em seu livro “Cooperativismo Financeiro: Virtudes e Oportunidades”, os dois Sistemas Cooperativos Financeiros mais expressivos do Brasil em operações até dezembro de 2015, tiveram 71% das transações realizadas pelos seus canais digitais. Por questões lógicas, as Instituições Financeiras economizam nos custos operacionais. Para ter uma ideia, cada atendimento no caixa gera dispêndio médio de R$2,00, que é resultante das despesas operacionais, inclusos, funcionários, instalações, material de expediente, luz, tributos e outros itens. Em ATM’s o custo cai para R$0,50, e pela internet, desce ainda mais para R$0,14. Quando as operações são realizadas na modalidade mobile banking por smartphones, o custo despenca para R$0,07.

Na perspectiva do cliente/cooperado a praticidade para economia de tempo e dinheiro é fator determinante. No olhar clínico das Instituições, é economia de despesas. Meinen complementa seu discurso com a preciosa informação de que o Sistema Cooperativo Brasileiro mais representativo em volume de transações economizou aproximadamente R$160 milhões, com o funcionamento dos canais remotos em vias digitais.

Atualmente no Brasil, há aproximadamente 130 fintechs ativas, neste novo nicho há oportunidades para as Cooperativas Financeiras alinharem parcerias com essas startups, e reais possibilidades para dar novos grandes saltos na conquista de mais uma importante fatia dos brasileiros ainda não pertencentes a um sistema bancário, ou mesmo os insatisfeitos com o modelo tradicional. No Brasil, até 2025, segundo estimativas da pesquisa feita pela consultoria McKinsey, as digitalizações dos serviços financeiros poderão gerar um ganho de R$ 495 bilhões na economia nacional, incluso aumento na produtividade, nos postos de trabalho e no crescimento dos investimentos.

Compreender profundamente esse universo das fintechs é a prioridade que os tomadores de decisão das Cooperativas Financeiras precisam abraçar. Um bom ponto de partida é acompanhar o site FintechLab, o observatório que aglutina informações pertinentes para potencializar iniciativas inovadoras. Indo mais adiante, é interessante aos estrategistas da cooperação financeira, mergulharem na interpretação da persona dos Affluent Millennials (pessoas com idade entre 18 e 34 anos, geração seguinte à geração X), os quais têm uma forma mais hightech de lidar com os serviços financeiros. Para imergir neste assunto, há um artigo, intitulado “Quem são os Affluent Millennials?”, recentemente disponibilizado na Cliente S.A., que utilizou como base uma pesquisa no Linkedin e na Ipsos, com amostra de 9 mil pessoas de 10 países entre eles, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Holanda, Austrália, Índia, Cingapura e Hong Kong. Quem sabe, daqui alguns anos, com o domínio deste cabedal tecnológico, Fintechs Cooperativistas sejam fundadas, e assim abram um novo horizonte de possibilidades para o setor. Nada de profetização, é apenas uma singela análise das tendências futuras.

Fonte: http://www.confebras.coop.br/

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