Juros baixos, vantagem competitiva das cooperativas. Até quando?, por Carlos Alberto dos Santos

Vantagem competitiva circunstancial e o paradoxo do papel do cooperativismo no mercado de crédito.

A entrevista (link mais abaixo) concedida por Harold Espínola, chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e de Instituições Não Bancárias (DESUC) do Banco Central do Brasil, ao MundoCoop é leitura obrigatória para todos que atuam no cooperativismo financeiro e para os pesquisadores e estudiosos do sistema financeiro nacional.

A constatação de Espínola, as taxas de juros praticados pelas cooperativas são inferiores aos da banca comercial é acompanhada de uma importante nuance: este diferencial é maior em linhas com menor concorrência (empréstimo a pessoa física sem consignação) e quase inexistente no financiamento de veículos, segmento intensamente disputado por muitos agentes financeiros.

Como tive oportunidade de destacar em minha palestra no CONCRED em Santa Catarina, as taxas de juros praticadas pelas cooperativas devem ser vistas como uma vantagem competitiva circunstancial. Circunstancial, pois o aumento da concorrência reduzirá paulatinamente até eliminar este diferencial.

Dito de outra forma, os juros menores das cooperativas contribuem para um aumento da concorrência no mercado e, por esta via, para redução das taxas da banca comercial, pública e privada. O que já pode ser observado em várias regiões do país.

Paradoxalmente, as cooperativas contribuem para o fim de sua vantagem competitiva baseada em taxas de juros inferiores aos da concorrência.

Isto é um problema?

Não. Essa é uma magnifica contribuição do cooperativismo para o desenvolvimento de nosso país.

Isto pode tornar-se um problema?

Sim. Para as cooperativas que não conseguirem operar com custos compatíveis com a nova realidade de mercado.

Para o conjunto do cooperativismo financeiro o grande desafio estratégico é a transição de um posicionamento de mercado baseada em preço para uma estratégia competitiva de diferenciação via criação de valor compartilhado para seus cooperados e comunidades.

Entrevista concedida por Harold Espínola ao MundoCoop: www.mundocoop.com.br/entrevista/harold-espinola-chefe-do-departamento-de-supervisao-de-cooperativas-e-de-instituicoes-nao-bancarias-desuc-do-banco-central-do-brasil.html

Fonte: linkedin.com

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