TOP COOPERS: Preparar o setor para a realidade 4.0 é o futuro

Dando continuidade a série especial, e exclusiva, de entrevistas com os presidentes das principais cooperativas de crédito do Brasil, o TOP COOPERS – Cooperativas de Crédito, a MundoCoop conversou nessa semana com o presidente da Confebras, que está em seu segundo mandato, Kedson Macedo.

Atuando há mais de 30 anos no mercado, a Confebras nasceu com o objetivo de representar o Cooperativismo de Crédito no Brasil, disseminar a cultura cooperativista financeira e formar cidadãos e profissionais cooperativistas qualificados. E, acima de tudo, exerce seu compromisso com o desenvolvimento do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo – SNCC.

Pioneira na promoção da educação cooperativista à distância, a Confebras realiza, atualmente, eventos que são oportunidades exclusivas para atualização de informação e aprendizado sobre crédito cooperativo, compartilhamento de experiências e parcerias intercooperativas, visando o desenvolvimento das cooperativas financeiras.

Uma de suas principais responsabilidades institucionais é desenvolver programas que contribuam para o aperfeiçoamento de líderes cooperativistas financeiros. A Confederação, assim, incentiva a atualização de dirigentes e conselheiros, além de incentivar a inovação e a competitividade das organizações cooperativas.

À MundoCoop, o presidente analisa a evolução do setor de crédito, bem como as expectativas e ações que devem ser colocadas em prática em 2020!

Confira a entrevista na íntegra!

Qual é a sua avaliação sobre o setor de cooperativas de crédito em 2019, destacadamente a partir das alterações político-econômicas que vivemos no ano?

Apesar do tímido desempenho da economia no período, o ano de 2019 foi extremamente importante para o Cooperativismo de Crédito. Fechamos uma década com números surpreendentes e fabulosos, garantidos por crescimentos anuais superiores a dois dígitos. Do final de 2009 a setembro de 2019, os ativos totais atingiram R$ 328,7 bilhões, crescimento de 524%; a carteira de crédito agregada alcançou R$ 137,1 bilhões, saltando mais de 446%, e os depósitos totais captados pelo conjunto das cooperativas de crédito bateu a cifra de R$ 153,0 bilhões, alavancando 591% no período.

Tivemos a revitalização da Agenda BC#, do Banco Central do Brasil, na qual o Cooperativismo Financeiro tem especial destaque. Já o Conselho Monetário Nacional, no final de novembro, atendeu uma antiga reivindicação do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) ao autorizar as cooperativas de crédito a captarem recursos, por meio das Letras Imobiliárias Garantidas (LIG), para financiamento imobiliário aos seus associados, a exemplo do que já acontecia com os bancos tradicionais. Assim, as cooperativas passaram a acrescentar ao seu portfólio mais um importante produto, propiciando maior competitividade ao conjunto de soluções financeiras oferecidas. O fato de as cooperativas de crédito atuarem fortemente nas pequenas e médias cidades significa que terão papel preponderante na interiorização do crédito imobiliário, contribuindo para a redução do déficit habitacional brasileiro, que é da ordem de 7,7 milhões de residências.

O que podemos esperar do setor de cooperativas de crédito, e em particular da Confrebras, para 2020? Quais os desafios a vencer?

Nosso grande desafio é preparar e sensibilizar o Cooperativismo de Crédito para as oportunidades e concorrências que o mundo inovador 4.0 traz. Isso contempla grandes avanços na tecnologia, com destaque para a Robótica, inteligência artificial e blockchain, na qualificação da governança e maior competitividade para os negócios. Nessa nova realidade, a economia de mercado tem acentuado a desigualdade econômica e social, o que, do nosso ponto de vista, pode abrir um caminho para a expansão do cooperativismo. Como entidade supra sistêmica, a Confebras continuará em seu papel de fortalecer institucionalmente o Cooperativismo de Crédito no Brasil, capacitando suas lideranças, e abrindo as portas e as mentes para a inovação. Por isso, vai ampliar em 2020 o escopo do seu maior evento, o Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito – CONCRED, que neste ano terá mais de 2,5 mil lideranças reunidas em Recife, Pernambuco, de 7 a 9 de outubro, que participarão de conferências e palestras com grandes especialistas nacionais e internacionais. Além disso, talk shows, estações temáticas, workshops e a feira de negócios serão alguns dos atrativos durante o evento.

É possível apontar oportunidades abertas para o setor?

Certamente. Podemos dar como exemplo a existência de cerca de 30% de pessoas não bancarizadas no Brasil, uma população de milhões que pode ter sua primeira experiência no sistema financeiro junto às instituições financeiras cooperativistas, que oferecem economia solidária, com juros mais baixos e no qual os associados são os donos do negócio. Outra oportunidade é contribuir para alavancar a economia facilitando o acesso ao crédito às pessoas físicas e às micro e pequenas empresas. Dados do IPEA demonstram que desde agosto de 2017 o saldo de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) está virtualmente estável em 47% do Produto Interno Bruto (PIB), ainda muito aquém das potencialidades do País.

Também existem regiões do País nas quais o Cooperativismo de Crédito precisa crescer. No Nordeste, por exemplo, segundo dados recentes do BCB, dos mais de 11,4 milhões de associados a alguma cooperativa de crédito em todo o Brasil, apenas 4% estão nas 74 cooperativas de crédito existentes na Região.

A Agenda BC# impõe às lideranças do Cooperativismo de Crédito a expansão das operações de crédito para 20% do Sistema Financeiro Nacional até 2022, o que podemos encarar também como uma grande oportunidade para estabelecer novas estratégias com foco na inovação, no aumento da capilaridade, incluindo os canais digitais, e na elevação da quantidade de associados. Temos muito trabalho pela frente.

Já convivemos com inteligência artificial, internet das coisas e muitas outras tecnologias. De que maneira as transformações digitais contribuem e/ou desafiam o cooperativismo de crédito?

Todos os setores da economia têm sido desafiados com a transformação digital nos negócios. As lideranças atuantes no Cooperativismo de Crédito estão conscientes de que suas cooperativas estão inseridas numa arena globalizada e digital na qual os negócios precisam ser realizados de forma ágil e segura, sendo o tempo de resposta da operação um divisor de águas entre o fracasso e o sucesso empresarial.

No mundo em transformação, não há somente a revolução tecnológica, mas também a evolução da inteligência e da consciência do ser humano. Essa constatação vem se constituindo em insumo para que ocorram mudanças disruptivas, respondendo de forma pró-ativa aos desafios imediatos e vindouros que as novas tecnologias impõem. Os entes atuantes no Cooperativismo de Crédito têm investido fortemente em tecnologia visando otimizar a jornada digital do cooperado, dando agilidade e segurança nas operações. Nessa matéria não ficamos devendo nada à concorrência com os grandes bancos, com os bancos digitais e mesmo perante as fintechs, que vêm adentrando o mercado. A Confebras tem feito a sua parte também ao promover palestras, networking com a presença de especialistas em TI, no debate sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e disponibilizando inclusive um espaço exclusivo no CONCRED Nordeste, denominado LABCoop, para as fintechs apresentarem suas inovações e fazerem parcerias com nossas cooperativas.

Apesar de grande parte das operações diárias serem feitas a distância, de forma digital, as cooperativas de crédito têm expandido suas agências físicas, não só nos pequenos, mas também em grandes municípios, na contramão dos bancos. Essa tendência deve permanecer? Há um planejamento a respeito disso para os próximos anos?

Os dirigentes das cooperativas de crédito singulares e dos sistemas cooperativos sabem que uma das principais virtudes do Cooperativismo de Crédito é o atendimento personalizado e a presença nos pequenos e médios municípios brasileiros, onde realmente fazemos a diferença. No final de 2019, segundo dados do BCB, existiam 6.051 postos de atendimento físicos no País. Essa realidade, do ponto de vista agregado, representa uma das maiores redes de atendimento no SFN.

Atualmente, as estratégias de expansão buscam equilibrar os investimentos e as necessidades de serviços financeiros dos associados e consideram a presença marcante das cooperativas de crédito nos grandes centros urbanos, sem esquecer das pequenas e médias comunidades. Também há forte expansão nos canais digitais, que buscam facilitar a vida financeira do cooperado, disponibilizando atendimento em qualquer parte do País, a qualquer momento, e que têm excelente aceitação no segmento jovem da população.

E há objetivos específicos como ampliar, até 2022, a cobertura de 13% para 25% dos municípios nas Regiões Norte e Nordeste. Sou otimista com a expansão do Cooperativismo de Crédito em nosso País, pois, em minhas andanças, vejo cada vez mais o apreço com que as pessoas e as comunidades abraçam este modelo econômico que traz esperança e prosperidade a todos.

Fonte: mundocoop.com.br

2 Comentários

  1. Boa noite, acredito que houve um erro na edição, onde as duas primeiras perguntas estão com a mesma resposta: “Qual é a sua avaliação sobre o setor de cooperativas de crédito em 2019, destacadamente a partir das alterações político-econômicas que vivemos no ano?” e “O que podemos esperar do setor de cooperativas de crédito, e em particular da Confrebras, para 2020? Quais os desafios a vencer?”.

    Gostaria de ler a entrevista com a resposta a cada pergunta.
    Parabens pela entrevista, está bem relatada e isso é muito bom!

    1. Author

      Olá Rafael, agradecemos o seu contato e queremos informar que corrigimos a resposta da segunda pergunta. Boa leitura! Abraço

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