Sete lições para aprender a lidar com o dinheiro, por Elvira Cruvinel e Chael Mazza

“O rei (…) perguntou:

– Por que deveriam tão poucos homens ser capazes de adquirir todo o ouro?
– Porque sabem como fazê-lo (…)
– (…) existe algum segredo para isso? Trata-se de algo que possa ser ensinado?
– Naturalmente, Majestade. Tudo o que o homem conhece pode ser ensinado aos outros. (…)”
(CLASON, 1926:37-39)

A humanidade, desde cedo, teve que aprender a lidar com o dinheiro. Passamos de uma época onde predominava o escambo, forma de transação onde se troca diretamente um bem que você possui por outro de seu interesse, para o momento onde o dinheiro foi criado. Este, por sua vez, já assumira diferentes formas – conchas, sal, ouro, papel-moeda –, mas sempre com a mesma função de ser um denominador padrão de troca para as negociações no mercado.

Nesse cenário, a organização financeira se mostra como habilidade essencial desde os tempos antigos, pois aquele que não era capaz de gerir o próprio patrimônio acabava normalmente arruinando não apenas sua riqueza, mas também sua reputação. Assim, princípios e regras de finanças pessoais, criados à época da antiga Babilônia, acabaram sedimentando-se em dogmas modernos, que perseveraram ao longo dos anos e nos trazem importantes ensinamentos até hoje.

A antiga Babilônia foi uma cidade mesopotâmica berço da civilização e uma das maiores da antiguidade. Um lugar muito à frente de seu tempo, onde constam alguns dos escritos mais antigos, o embrião das leis modernas e os primórdios do comércio de mercadorias. Foi justamente nesse mercado e ambiente econômico favorável, onde os homens, pela primeira vez, tiveram que aprender a lidar com os fluxos de dinheiro para poder ascender nas classes sociais.

Nesse contexto é que entram as lições dos antigos, que, embora seculares, até hoje não são de pleno conhecimento de toda a população. O objetivo deste artigo é, portanto, trazer para o contexto atual ensinamentos que muito ajudaram os antigos a encontrar os caminhos da riqueza, resgatando para isso as lições apresentadas no livro “O homem mais rico da Babilônia”, escrito por George S. Clason, em 1926.

Há que se ressaltar que o mercado financeiro se tornou complexo – com possibilidades de adiantamentos, transações intrincadas de investimentos e empréstimos sobre os mais diversos formatos –, mas a base continua sendo igual. Ou seja, o desafio ainda é saber como bem administrar o dinheiro que você ganha, não apenas para poder garantir sua sobrevivência, mas também para que ele possa render a você uma boa qualidade de vida e mais riquezas no futuro.

Tratando da riqueza na Babilônia, passamos então a, brevemente, apresentar as sete lições para lidar com a falta de dinheiro que, nas palavras do autor, devem ser aprendidas para que sejamos capazes de plantar em nossas vidas as sementes da riqueza.

1. Comece a fazer seu dinheiro crescer

A maioria das pessoas sabe bem como gastar, antes de pensar em poupar ou fazer o dinheiro render. Assim, a primeira lição se baseia justamente em inverter a lógica e passar a pensar primeiro em como fazer o dinheiro crescer.

2. Controle seus gastos

Qual é, hoje, o total dos seus gastos mensais? Eles cabem em suas receitas? A segunda lição se baseia exatamente na necessidade de ter essa visão, com o controle de seu orçamento.

3. Multiplique seus rendimentos

Colocar o dinheiro para trabalhar para você é uma atitude que certamente dará um salto de qualidade na sua vida financeira. Porém, poucas pessoas o fazem, receando ser complicado. A terceira lição trata dessa capacidade do dinheiro em gerar frutos e de como você se organiza para conseguir colocá-lo para trabalhar para você!

4. Proteja seu tesouro contra a perda

É importante conhecer as diferentes maneiras de como proteger seu patrimônio, para que seu planejamento financeiro não se frustre. A quarta lição trata, então, da necessidade de precaução e proteção, ou seja, de sempre buscar a segurança adequada para você, sabendo exatamente o risco que se pode assumir.

5. Faça do lar um investimento lucrativo

Desde os antigos babilônios, a moradia representa um gasto significativo no orçamento doméstico – ao mesmo tempo em que é um elemento importante na qualidade da vida familiar. Assim, a quinta lição trata desse nobre investimento.

6. Assegure uma renda para o futuro

Pensar no futuro é algo fundamental em finanças pessoais, sobretudo em relação ao rendimento necessário e existente após sua vida laboral, na sua aposentadoria. A sexta lição trata então da necessidade de se ter um plano B para o futuro, não confiando tão somente nos rendimentos oriundos de uma aposentadoria formal.

7. Aumente sua capacidade para ganhar

O melhor investimento que você pode fazer é em si mesmo. Estudar finanças e investimentos, desenvolver novas habilidades, fazer cursos e treinamentos, aprender sempre – esse é elemento importante para o caminho da prosperidade. A sétima lição dos ricos babilônios é justamente aumentar sua capacidade de ganhar dinheiro, passo efetivo para começar a ganhar mais todo mês.

Vê-se, portanto, que as lições delineadas pelos antigos babilônios são atemporais e de aplicabilidade imediata. Conhecê-las é o primeiro passo, mas implementá-las e torná-las um hábito é o verdadeiro caminho para o sucesso.

Nos próximos artigos vamos explorar cada uma dessas sete lições, trazendo exemplos de como você pode aplicá-las em seu cotidiano e, particularmente, nesse momento de crise.

Para ser rico, além de querer de verdade, é necessário compreender que a aprendizagem e o conhecimento – sobretudo nos momentos de crise – fazem toda a diferença para se atingir uma vida financeiramente equilibrada. Esperamos com isso, contribuir para que você seja capaz de plantar as sementes da riqueza em sua vida.

Para mais dicas sobre finanças, siga a página @curtafinancas, no instagram!

Elvira é doutora em Administração pela FGV e possui ampla experiência com educação financeira. Chael é doutor em Administração pela UNB e criador do @curtafinancas no Instagram. O conteúdo do artigo é de inteira responsabilidade dos autores, não representando posicionamento da instituição em que trabalham.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*