Lições da Babilônia: Proteja seu tesouro contra a perda, por Chael Mazza e Elvira Cruvinel

“(…) Protejam seus tesouros contra a perda, investindo onde o principal esteja a salvo, onde possa ser reivindicado sempre que o desejarem e onde fique claro para vocês que vão realmente conseguir uma bela renda. Consultem homens experimentados. Sigam a opinião daqueles que lidam habitualmente com dinheiro. Deixem que o tirocínio deles projeta seus tesouros contra os investimentos de alto risco”.
(CLASON, 1926:49)

O medo limita o ser humano a dar passos por demais ousados, pois há uma necessidade de proteção contra a incerteza e à imprevisibilidade. Por isso, é natural querermos reduzir os riscos aos quais estamos expostos. Temos a tendência natural de buscarmos formas de proteção.

Com sabedoria, aos poucos as sociedades foram desenvolvendo formas de mitigar os riscos e a calcular adequadamente seus passos rumo a uma vida mais feliz e segura.

E no que se refere à riqueza, a lógica não poderia ser diferente. Afinal, quem quer lutar para acumular capital e depois ver o patrimônio perdido por causa de um evento inesperado? Até porque, perder moedas costuma ser muito mais fácil do que ganhar moedas, sobretudo quando você não está preparado.

Já na antiga Babilônia, as pessoas protegiam seu tesouro na escolha de seus investimentos e com quem se relacionar, procurando aqueles mais seguros, com mais garantias de retorno e com proteções em caso de perdas.

Para proteger o seu tesouro contra as perdas, é importante ter visão clara do que realmente se compõe esse tesouro. Numa visão ampla, não são somente suas moedas, mas também o seu patrimônio e o seu bem-estar e o de sua família.

Trazendo esse conceito para o mundos dos investimentos de hoje, é fácil perceber que existem mecanismos de proteção do seu tesouro, tanto para o pequeno quanto para o grande investidor. O problema é que a maioria das pessoas não sabe disso ou pouco se interessa.

Neste artigo tratamos de duas dimensões da proteção ao seu tesouro: 1) Proteção para seus investimentos, no intuito de garantir a manutenção do seu capital e geração de riqueza; e 2) Proteção para seu patrimônio e bem-estar, na forma de seguros.

1) Proteção para seus Investimentos

A primeira forma de proteção dos seus investimentos são as boas escolhas que você faz. Isso porque cada investimento possui um risco associado, e aqui entra uma regra de ouro do mundo do dinheiro:

Quanto maior o risco de um investimento, maior é o seu potencial de ganhar dinheiro e maior também é a chance de perder dinheiro.

Assim, se você quiser mais proteção, precisará sacrificar parte de sua rentabilidade e escolher papéis sem risco ou de baixo risco.

No geral, os investimentos menos arriscados são os de renda fixa. Como o próprio nome já diz, a rentabilidade é fixa, sem surpresas, se você segurar a aplicação até o vencimento. Assim, colocar todo ou grande parte do seu dinheiro em renda fixa por si só gera mais proteção para seu dinheiro. Claro que a contrapartida disso é que seus ganhos serão menores também.

Do outro lado, você pode optar por alocar parte do que tem em renda variável, que apesar de possuir mais alto risco, no longo prazo, traz maiores retornos. A questão aqui é o equilíbrio.

Se você está começando, opte pela renda fixa. Estude, aprenda, divirta-se. Começar com segurança é sempre uma melhor opção. Depois de ganhar maturidade, avance aos poucos para a renda variável.

A segunda forma de proteção dos seus investimentos é a diversificação. Uma palavra bonita que significa exatamente aquele ditado popular de não colocar todos os ovos em uma cesta só.

Se você coloca todo seu dinheiro em um único investimento e ele não dá certo, você perde todo o seu dinheiro. Na mesma linha, se você opta por colocar em dois investimentos e um deles não dá certo, você perde 50%. E por aí vai. Quanto mais diferentes investimentos você tiver, mais seu risco estará diluído e mais protegido você estará.

Na prática, isso significa que se você investe apenas em renda fixa, procure diversificar entre os tipos de renda fixa – pré-fixado, pós-fixado, inflação. Se você investe em renda variável, não coloque tudo em uma ação ou fundo, mas dilua entre diferentes tipos e setores.

A terceira forma de proteção dos seus investimentos é conhecer as entidades protetoras.

No mercado financeiro existem entidades criadas para proteger os investidores. A primeira delas é o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que oferece proteção contra perdas na renda fixa.

De forma prática, o FGC restitui até R$ 250 mil de prejuízo por CPF, caso a instituição que emitiu um investimento venha a falir. Em outras palavras, se você comprar um CDB de um banco e esse banco falir, o FGC restitui a você o prejuízo até o limite de R$ 250 mil. Vale destacar que além dos CDB, o FGC cobre também as LCI, LCA e poupança. Existe também o FGCoop, que funciona de forma similar para os investimentos emitidos pelas cooperativas de crédito.

Saber que seu investimento, em caso de quebra da instituição, será restituído a você, faz toda a diferença.

Na renda variável, a instituição que protege os investidores é o Mecanismos de Ressarcimento de Prejuízos (MRP) da B3, Bolsa de Valores do Brasil (antiga BM&F Bovespa). Ele garante a restituição dos prejuízos até o limite de R$ 120 mil em renda variável caso a causa do prejuízo tenha sido algum problema das instituições financeiras na negociação dos valores na bolsa, tais como uma ordem emitida sem autorização ou a impossibilidade de envio de uma ordem.

Ou seja, se você tinha dinheiro em uma corretora de investimentos e essa corretora faliu, você é restituído pela B3. Se você teve algum prejuízo porque mandou uma ordem de venda e ela não foi executada pela plataforma de investimentos, pode também solicitar o ressarcimento.

A quarta forma de proteção para seus investimentos são os derivativos.

Essa é uma forma mais avançada, recomendada apenas para investidores experientes. Os derivativos nada mais são do que papeis que dependem de outros ativos, e foram criados justamente para proteger os investidores. Os exemplos mais comuns de derivativos são as opções e os futuros.

Em termos práticos, você pode criar operações com derivativos para proteger seus investimentos em cenários de alta, baixa ou estagnação. As possibilidades são infinitas.

A questão é que os derivativos em si representam investimentos de altíssimo risco, o que acaba fazendo muitos investidores perderem dinheiro. Por isso, é necessário bastante estudo antes de entrar nessa seara.

2) Proteção para seu patrimônio e bem-estar

Uma outra dimensão em relação à proteção de seu tesouro são os seguros. Seu aparecimento, que remonta aos tempos da Babilônia, se vincula a famoso dito popular: “é melhor prevenir do que remediar”.

Mas, não só os babilônios, em suas expedições no deserto, mas também os fenícios e os hebreus, em suas aventuras no mar, realizavam acordos entre si para cobrir eventuais perdas de seus camelos ou embarcações, como exemplos. Assim, se organizavam e ajudavam mutuamente para repor o bem de integrante do grupo que sofresse a perda em seu patrimônio. Essa parece ter sido a origem dos seguros.

O seguro é, então, uma forma de proteção ao seu patrimônio e à sua família, em caso da ocorrência de imprevistos, conhecidos como sinistros. Você paga um valor (prêmio) ao segurador para contratar o seguro e ter, então, o recebimento de indenização, na ocorrência do sinistro.

Atualmente, para proteger seu patrimônio e, então, ter mais segurança em sua vida, há diversos tipos de seguros. Os mais conhecidos são os seguros de automóvel, seguro de vida, seguro residencial, seguro de saúde e seguro funeral. Há também outros não tão conhecidos, como a previdência privada, a fiança locatícia, o seguro-viagem, o seguro prestamista e o seguro educacional. Para conhecer mais sobre os tipos de seguros, visite o site da Susep (http://novosite.susep.gov.br/), que é a instituição que regulamenta seguros no Brasil.

Antes de contratar um seguro, é importante você fazer uma avaliação não só de seu patrimônio, mas do que realmente é importante para você. Lembre-se que um incidente pode, por vezes, mudar os rumos de nossa vida e temos que estar preparados para isso. Não resolve tudo, mas ajuda a resolver parte das questões.

Depois dessa avaliação, decida se você fará algum tipo de seguro. Feito isso, pesquise preços, comparando mesmo tipo de cobertura e o mesmo valor de capital segurado, avaliando, também, a existência de período de carência – muito comum, por exemplo, em seguros de saúde. Não se esqueça também de verificar, no site da Susep, o cadastramento da seguradora ou do corretor, se optar por um intermediário.

Enfim, proteger o seu tesouro é possível, e vai possibilitar a você uma vida mais tranquila.

Para mais dicas sobre finanças, siga a página @curtafinancas, no instagram!

Conheça também o site de educação financeira da Susep: https://www.meufuturoseguro.gov.br

Referências:

CLADSON, George S. “O homem mais rico da Babilônia”, Rio de Janeiro: HarperCollins, 2017. Escrito em 1926.

PROTESTE. Guia dos seguros. Disponível em: https://www.proteste.org.br/seus-direitos/direito-do-consumidor/noticia/baixe-as-cartilhas-da-proteste/download?ressourceUri=24D77F51F20444B67E869989E8FC4E5B1C9B938D

1 comentário

  1. Chael Mazza e Elvira Cruvinel, Parabéns! Excelente artigo, didatico, conciso, inteligivel. Voces trouxeram o assunto que os investidores já sabem, mas nem sempre aplicam este conhecimento. Muito bom. Vou divulgar nas minhas redes. abs

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*