Entrevista: Moacir Krambeck fala sobre os planos para a Confebras e sobre o Concred Digital

Em meio ao desafiador cenário da pandemia, o movimento do Cooperativismo de Crédito se consolida no Brasil. Moacir Krambeck, novo presidente da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras) desde abril, é uma liderança reconhecida no movimento cooperativista. Economista e presidente do Conselho de Administração da Central Ailos, ainda atua como vice-presidente da Ocesc (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina), integrando, também, os Conselhos de Administração da ViaCredi e da Quanta Previdência. Na entrevista a seguir, o dirigente opina sobre o segmento e fala acerca dos projetos para a gestão à frente da Confebras, além de discorrer sobre o 13º Concred Digital , programado para os dias 18 a 20 de agosto .

Em primeiro lugar, gostaríamos que o senhor contasse um pouco sobre como vem sendo essa fase inicial, na presidência da Confebras, e sobre os planos para o mandato.

A ideia, em princípio, é dar continuidade ao que vem sendo feito. Seguiremos investindo em aprofundar o conhecimento sobre cooperativismo, em especial  no ramo de crédito. Procuraremos disponibilizar instrumentos necessários à inclusão das cooperativas independentes. É uma iniciativa já presente, com os Fóruns e  Congressos, mas acreditamos que podemos fazer muito mais. Vamos procurar uma conexão mais direta com elas e, assim, poderemos ajudá-las no seu desenvolvimento.

A função básica da Confebras é difundir o cooperativismo para toda a população, não somente aos cooperados do Brasil. Buscar alternativas em escolas e universidades convencendo os jovens da filosofia cooperativista, que, no seu âmago, expressa exatamente o desejo das gerações Y e Z. Evidenciar que o cooperativismo não é somente uma instituição econômica, mas muito mais, pois considera as pessoas como o centro de tudo é está voltado a elas, sem nenhum preconceito ou pré-julgamento.

Portanto, temos um belo trabalho, já que atualmente somos mais de  13,1 milhões de cooperados e 840 cooperativas e 6.626 postos de atendimento no Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, segundo os últimos dados do BureauCoop, da Confebras, num país de 212 milhões de habitantes.

E como o senhor vê a ferramenta BureauCoop de Business Intelligence da Confebras? Que benefícios poderá trazer a todo o sistema e como fonte de consulta para a imprensa e público em geral?

Esse trabalho desenvolvido pela administração e aprovado pelo Conselho é de extrema importância. Existem dados sobre o cooperativismo em várias plataformas, com informações diferentes e, portanto, não completas. Isso, com certeza, traz uma série de dificuldades aos pesquisadores e estudiosos do movimento, em especial no que se refere ao segmento de crédito. Com o BureauCoop, temos todas as informações atualizadas e fundamentadas na base do Banco Central. É, sem dúvida, um instrumento valioso.

O BureauCoop é uma plataforma responsiva, dinâmica e intuitiva, que democratiza o acesso às informações numéricas e geográficas sobre quantidade de associados, ativos, carteira de crédito, depósitos, unidades de atendimento e outros tópicos para quem almeja conhecer o setor.  Falamos de informações numéricas e em infográficos que são uma verdadeira radiografia setorial, numa plataforma fundamentada em princípios de BI. É um sistema que possibilita a análise das cooperativas independentes, das estruturas sistêmicas às quais as cooperativas singulares estão vinculadas, a visão particular das cooperativas centrais, aferindo seus portes financeiros, além de gerar rankings com as 10, 20, 30, 50 e 100 maiores instituições financeiras cooperativistas no Brasil. Além do layout mais funcional, intuitivo e inteligente, a última atualização, lançada em abril de 2021, trouxe duas grandes novidades: série histórica de números dos últimos cinco anos e um mapa interativo com os postos de atendimento do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC).

Como o senhor avalia a importância do movimento cooperativista durante a pandemia?

É uma volta às bases. Quem estuda e vive o cooperativismo sabe que sua origem, por volta de 1850, tem a ver com o desemprego e a fome. O que tivemos nessa pandemia, senão os mesmos problemas, resguardadas as devidas proporções? O cooperativismo nasceu das pessoas, está muito próximo delas e conhece as suas necessidades. Por isso, pode atendê-las com mais qualidade, numa visão que evite problemas futuros. No fundo, a missão das cooperativas é melhorar a qualidade de vida e não medir esforços para que os associados sejam felizes.

Qual é a importância, em sua visão, dos programas educacionais da Confebras (EaD, CooperaEduca, Intercâmbios)?

A Confebras é pioneira na educação cooperativista a distância, pois sabemos  que a educação é a pedra de sustentação do movimento. Desde 1999, a Confederação vem implementando  iniciativas de suma importância,  pois a educação é a base do desenvolvimento e da justiça num País. Vamos preservar tudo o que a Confebras já tem feito e ampliar cada vez mais.

Esperamos que, num futuro não muito distante, nossa Confederação seja a base do conhecimento sobre o cooperativismo. Para isso, procuraremos nos unir ao que já se faz nas cooperativas singulares, centrais e confederações.

Do seu ponto de vista, qual é a sua mensagem para os jovens, os novos “consumidores” dos bancos digitais? Como chegar a este público?

Os jovens, em sua maioria, comungam dos mesmos valores, mas infelizmente ainda não estão próximos do cooperativismo. A Confebras tem o compromisso assumido de chegar aos jovens, em todo o Brasil, sejam ou não cooperados. Na edição do Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) de 2021, que acontecerá em agosto deste ano de forma totalmente digital, teremos dois momentos direcionados para o público de 18 a 35 anos, intitulado Integração Juventude, no qual o principal objetivo será gerar engajamento, mostrar a importância e as vantagens do cooperativismo.

As plataformas digitais facilitam essa aproximação e a Confebras já usa muitos mecanismos nesse sentido. Mas a ideia é intensificar o trabalho, a fim de chegar a eles com mais profundidade, clareza e intensidade. E as cooperativas têm avançado muito nas ferramentas digitais, disponibilizando produtos e serviços. O que nos leva a crer que não haverá dificuldades, uma vez que os jovens estão extremamente conectados aos dispositivos eletrônicos.

E falando no 13º Concred Digital, quais os temas e o foco do evento nesse cenário desafiador da pandemia?

Nossa decisão em fazer um congresso totalmente virtual teve a ver justamente com os cuidados que a crise sanitária ainda exige. Mas isso também nos deu a chance de idealizar uma experiência inovadora e imersiva, nesse momento em que é preciso repensar a economia, a sociedade e o papel do movimento cooperativista como agente da transformação. Nesse sentido, conseguimos ampliar de forma positiva o alcance do maior evento do Cooperativismo de Crédito na América Latina, por conta da perspectiva de que os participantes acompanhem tudo de qualquer lugar.

Teremos mais de 40 palestrantes de renome nacional, numa programação que supera as 30 horas, entre os dias 18 e 20 de agosto. Selecionamos assuntos de alta relevância, que englobam regulação, ESG (Environmental, Social and Governance), liderança, estratégia, cenários, tendências globais e negócios, inovação e diversidade. E essas questões serão abordadas de forma profunda por lideranças que se destacam pelo conhecimento e capacidade de antever e desenhar o futuro. Isso sem contar as novidades inéditas, como a Feira Virtual de Negócios Cooperativistas, uma oportunidade única para networking e aceleração de negócios. Será, com certeza, uma edição memorável.

Fonte da informação:

https://cooperativismodecredito.coop.br/2021/05/bc-cooperativas-de-credito-crescem-134-em-5-anos-e-ocupam-lugar-de-destaque/

https://confebras.coop.br/bureau/powerbi/

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