Cooperativas respondem por 22% do crédito rural PF, mas 88% da carteira não tem seguro agrícola

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Panorama do Banco Central mostra a relevância das cooperativas no financiamento rural, especialmente entre pequenos e médios produtores, mas também evidencia a baixa cobertura por seguro agrícola em um cenário de maior risco climático.

Esta reportagem integra o Especial Panorama SNCC 2025: o novo patamar do cooperativismo financeiro brasileiro, série do Portal do Cooperativismo Financeiro baseada no relatório anual do Banco Central do Brasil sobre o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. Nesta matéria, a análise se concentra no crédito rural, segmento em que as cooperativas de crédito têm participação relevante no financiamento de produtores, especialmente pequenos e médios, mas também enfrentam desafios crescentes relacionados à concentração regional, ao risco climático e à baixa cobertura por seguro agrícola.

O cooperativismo de crédito consolidou-se como um dos principais canais de financiamento rural no Brasil. Segundo o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), divulgado pelo Banco Central, as cooperativas respondiam por cerca de 22% do crédito rural pessoa física no Sistema Financeiro Nacional ao final de 2025.

A presença das cooperativas nesse segmento reflete sua forte ligação com o interior do país, com as comunidades rurais e com produtores de diferentes portes. O crédito rural segue sendo uma das áreas em que o modelo cooperativo demonstra maior capacidade de proximidade, conhecimento local e relacionamento continuado com os associados.

Cooperativas de Crédito têm papel relevante no financiamento rural

A carteira de crédito rural das cooperativas tem peso expressivo dentro do Sistema Financeiro Nacional, especialmente no atendimento a produtores pessoas físicas. O relatório do Banco Central mostra que o SNCC manteve participação relevante nesse mercado, com destaque para a atuação junto a pequenos e médios produtores.

No crédito rural pessoa física, as cooperativas respondem por aproximadamente 22% do mercado nacional. Esse dado evidencia a importância do cooperativismo financeiro para o financiamento da produção agropecuária, especialmente em regiões onde as cooperativas possuem forte presença territorial e vínculo histórico com o campo.

Além do volume financeiro, a relevância das cooperativas no crédito rural está associada à natureza do relacionamento com os produtores. Em muitos municípios, a cooperativa conhece a realidade produtiva local, acompanha ciclos de safra, compreende riscos regionais e mantém relação próxima com famílias, propriedades e comunidades.

Crédito rural cooperativo cresce com destaque para pessoas físicas

O Panorama mostra que a carteira ativa de crédito do SNCC continuou crescendo em 2025, com expansão superior à observada no restante do Sistema Financeiro Nacional. No segmento de pessoas físicas, o crédito rural e agroindustrial teve crescimento relevante, reforçando a importância desse público para as cooperativas.

A carteira rural e agroindustrial de pessoas físicas alcançou aproximadamente R$ 153,3 bilhões em 2025, com crescimento anual de 16,9%. O avanço mostra que, mesmo em um ambiente de maior atenção ao risco da carteira, as cooperativas mantiveram forte atuação no financiamento da atividade produtiva no campo.

Esse crescimento reforça o papel das cooperativas como parceiras financeiras dos produtores rurais. Ao financiar custeio, investimento, máquinas, equipamentos e demais necessidades da produção, as cooperativas contribuem diretamente para a atividade econômica em regiões nas quais o agronegócio e a agricultura familiar têm grande importância.

Cooperativismo financeiro atende pequenos e médios produtores

Um dos dados mais relevantes do relatório é a composição da carteira rural por porte do produtor. Segundo o Banco Central, os pequenos produtores representavam 37% da carteira rural do SNCC, enquanto os médios produtores respondiam por 36%. Os grandes produtores somavam 27%.

Isso significa que pequenos e médios produtores, juntos, representavam cerca de 73% da carteira rural das cooperativas. O dado reforça a contribuição do cooperativismo financeiro para públicos que dependem de instituições próximas, capazes de compreender a realidade local e oferecer soluções compatíveis com o porte da atividade produtiva.

A atuação junto a pequenos e médios produtores também está alinhada à missão histórica das cooperativas de crédito. Ao ampliar o acesso ao financiamento para esses públicos, o setor contribui para a manutenção da renda, a modernização produtiva, a sucessão no campo e o desenvolvimento das comunidades rurais.

Carteira rural das cooperativas é concentrada no Sul e Sudeste

A distribuição regional da carteira rural mostra concentração nas regiões onde o cooperativismo de crédito possui presença histórica mais consolidada. O Sul respondia por cerca de 55% da carteira rural do SNCC. O Sudeste aparecia em seguida, com aproximadamente 24%, enquanto o Centro-Oeste representava cerca de 15%.

Essa concentração reflete a maior maturidade do cooperativismo financeiro no Sul, região onde as cooperativas têm elevada presença territorial, ampla base de associados e forte relacionamento com produtores rurais. Também demonstra a importância do Sudeste e do Centro-Oeste, especialmente pela relevância agropecuária dessas regiões.

Ao mesmo tempo, a distribuição regional mostra espaço para expansão em áreas onde o cooperativismo ainda tem menor presença relativa. A ampliação do crédito rural em regiões menos cooperativizadas dependerá de presença institucional, conhecimento local, estrutura de atendimento, tecnologia, gestão de risco e capacidade de adaptação às diferentes realidades produtivas.

Seguro agrícola é ponto de atenção para o cooperativismo

O dado mais sensível do relatório sobre crédito rural está relacionado à baixa cobertura por seguro agrícola. Segundo o Banco Central, aproximadamente 88% da carteira rural do SNCC não possuía seguro agrícola em 2025.

A ausência de seguro não significa, por si só, maior inadimplência imediata. No entanto, reduz a proteção de produtores e instituições financeiras diante de eventos climáticos extremos, perdas de safra, estiagens, enchentes, granizo, oscilações severas de produtividade e outros fatores que afetam diretamente a capacidade de pagamento no campo.

Em um contexto de maior instabilidade climática, esse dado merece atenção estratégica. O crédito rural depende cada vez mais de mecanismos de mitigação de risco, entre eles seguro agrícola, Proagro, garantias adequadas, análise técnica, diversificação regional, monitoramento climático e acompanhamento mais próximo das atividades financiadas.

Baixa cobertura por seguro amplia desafio de gestão de riscos

Para as cooperativas, a baixa presença de seguro agrícola na carteira rural representa um desafio adicional de gestão de riscos. A proximidade com o produtor é uma vantagem competitiva importante, mas precisa ser combinada com ferramentas técnicas capazes de antecipar, mensurar e mitigar eventos adversos.

O avanço da carteira rural exige atenção à qualidade da concessão, ao acompanhamento das garantias, à capacidade de pagamento dos produtores e à exposição por regiões, culturas, atividades e portes. A gestão de riscos no crédito rural precisa considerar tanto fatores financeiros quanto variáveis produtivas e climáticas.

Esse ponto ganha ainda mais relevância porque o Panorama também aponta aumento dos ativos problemáticos na carteira total do SNCC em 2025. Embora o crédito rural apresente características próprias e níveis de risco distintos em relação a outras modalidades, a ampliação da exposição sem mecanismos suficientes de proteção pode elevar a vulnerabilidade em ciclos climáticos adversos.

Ativos problemáticos rurais permanecem abaixo do SFN ex-SNCC

Apesar da atenção necessária ao risco climático e à baixa cobertura por seguro, o relatório mostra que a carteira rural das cooperativas manteve indicadores de risco relativamente mais favoráveis do que os observados no restante do Sistema Financeiro Nacional.

O nível de ativos problemáticos na carteira rural do SNCC ficou em torno de 2,3%, patamar inferior ao verificado no SFN excluído o segmento cooperativo, que ficou próximo de 11%. Essa diferença reforça a importância do relacionamento próximo, do conhecimento local e da qualidade do acompanhamento realizado pelas cooperativas junto aos produtores.

Mesmo assim, o dado não elimina a necessidade de prudência. A boa qualidade relativa da carteira rural deve ser preservada com disciplina na concessão, acompanhamento constante e ampliação de instrumentos de proteção, especialmente em um cenário de eventos climáticos mais frequentes e severos.

Produtos e atividades mostram diversidade da carteira rural

A carteira rural das cooperativas também apresenta diversidade em atividades e finalidades financiadas. Entre as atividades relevantes aparecem bovinos e soja, enquanto, entre os produtos financiados, destacam-se máquinas, implementos e itens associados à modernização da produção.

Segundo os dados do Panorama, bovinos respondiam por aproximadamente 29% da carteira rural por atividade, enquanto soja representava cerca de 12%. No recorte por produto, máquinas e implementos tinham participação relevante, próxima de 14%.

Essa composição mostra que o crédito rural cooperativo não se limita ao custeio de safras. Ele também financia investimentos, modernização produtiva e atividades pecuárias, contribuindo para a capacidade de produção e para a competitividade das propriedades rurais atendidas pelas cooperativas.

Principais números do crédito rural no Panorama SNCC 2025

O Panorama SNCC 2025 reúne dados importantes sobre a atuação das cooperativas de crédito no financiamento rural. Entre os principais números, destacam-se:

  • Participação do SNCC no crédito rural pessoa física do SFN: aproximadamente 22%;
  • Carteira rural e agroindustrial de pessoas físicas: cerca de R$ 153,3 bilhões;
  • Crescimento anual da carteira rural e agroindustrial PF: 16,9%;
  • Participação do Sul na carteira rural do SNCC: aproximadamente 55%;
  • Participação do Sudeste: aproximadamente 24%;
  • Participação do Centro-Oeste: aproximadamente 15%;
  • Pequenos produtores: 37% da carteira rural;
  • Médios produtores: 36% da carteira rural;
  • Grandes produtores: 27% da carteira rural;
  • Carteira rural sem seguro agrícola: aproximadamente 88%;
  • Ativos problemáticos rurais no SNCC: cerca de 2,3%;
  • Ativos problemáticos rurais no SFN ex-SNCC: cerca de 11%.

Cooperativas podem ampliar proteção ao produtor rural

A relevância das cooperativas no crédito rural também abre oportunidade para fortalecer a proteção dos produtores. A baixa cobertura por seguro agrícola indica espaço para ampliar a orientação, a oferta e a integração de instrumentos de mitigação de risco às operações de crédito.

As cooperativas podem desempenhar papel importante na educação financeira e produtiva dos associados, ajudando os produtores a compreender a importância do seguro, das garantias, da gestão de caixa, da diversificação de atividades e do planejamento de safra.

Além disso, a proximidade local permite que as cooperativas ajudem a construir soluções mais ajustadas à realidade de cada região. O desafio é combinar relacionamento, tecnologia, dados climáticos, análise de crédito e produtos de proteção de forma integrada.

Nova fase do cooperativismo rural exige crédito com proteção

O Panorama do Banco Central confirma que as cooperativas de crédito ocupam posição relevante no financiamento rural brasileiro. A participação de 22% no crédito rural pessoa física, a forte presença entre pequenos e médios produtores e o crescimento da carteira rural mostram que o setor é parte essencial do financiamento ao campo.

Ao mesmo tempo, a informação de que 88% da carteira rural não possui seguro agrícola evidencia um ponto de atenção importante. Em um ambiente de maior volatilidade climática, o crescimento do crédito rural precisa ser acompanhado por instrumentos de proteção mais robustos.

A nova fase do cooperativismo financeiro no campo dependerá da capacidade das cooperativas de continuar financiando a produção, mas com crescente atenção à qualidade da carteira, à proteção dos produtores e à sustentabilidade das operações. Crédito, seguro, gestão de riscos e proximidade local devem caminhar juntos para preservar a força do modelo cooperativo no agronegócio brasileiro.


Elaborado pelo Portal do Cooperativismo Financeiro – cooperativismodecredito.coop.br

Conheça o conteúdo completo no Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC).

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