Panorama do Banco Central mostra que as cooperativas de crédito ampliaram sua rede física, chegaram a 59% dos municípios do país e passaram a ser alternativa presencial em mais de mil localidades sem agência bancária.
Esta reportagem integra o Especial Panorama SNCC 2025: o novo patamar do cooperativismo financeiro brasileiro, série do Portal do Cooperativismo Financeiro baseada no relatório anual do Banco Central do Brasil sobre o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. Neste texto, o foco está na expansão territorial das cooperativas de crédito, que ampliaram sua presença física em municípios brasileiros enquanto a rede bancária tradicional recuou, reforçando o papel do cooperativismo como instrumento de inclusão financeira, proximidade comunitária e acesso presencial a serviços financeiros.
O cooperativismo de crédito brasileiro continuou ampliando sua presença territorial em 2025. Segundo o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), divulgado pelo Banco Central, as cooperativas estavam presentes em 3.287 municípios ao final do ano, o equivalente a 59,0% dos municípios brasileiros.
O avanço ganha ainda mais relevância quando comparado ao movimento da rede bancária tradicional. De 2021 a 2025, o número de municípios com presença de cooperativas de crédito passou de 2.907 para 3.287, acréscimo de 380 municípios. No mesmo período, os municípios com agências do Sistema Financeiro Nacional, excluído o cooperativismo, caíram de 3.147 para 2.924, redução de 223 municípios.
Cooperativas de Crédito ampliam presença onde bancos recuam
O contraste entre a expansão cooperativa e a retração bancária ficou evidente em 2025. No ano, o SNCC passou a atender 56 novos municípios com sedes ou postos de atendimento cooperativo. Ao mesmo tempo, o restante do Sistema Financeiro Nacional deixou de contar com agências em 85 municípios.
Essa diferença reforça um dos principais atributos do modelo cooperativo: a capacidade de manter presença em localidades onde a operação bancária tradicional tende a recuar. Em muitos municípios, a cooperativa de crédito representa não apenas uma instituição financeira, mas também um ponto de relacionamento, orientação, circulação de recursos e apoio ao desenvolvimento local.
De acordo com o Banco Central, 1.072 municípios sem agência bancária tradicional contavam com pelo menos uma sede ou posto de atendimento de cooperativa de crédito em dezembro de 2025. Esse dado evidencia o papel do cooperativismo financeiro na manutenção do acesso presencial a serviços financeiros em regiões que poderiam ficar desassistidas.
Rede cooperativa chega a 10.553 unidades de atendimento
Ao final de 2025, as cooperativas de crédito contavam com 10.553 unidades de atendimento no país. Esse total era composto por 742 sedes de cooperativas singulares e 9.811 postos de atendimento cooperativo.
O número total de unidades cresceu 3,2% em relação a 2024. Os postos de atendimento cooperativo avançaram 3,6%, o equivalente a 341 novas unidades no ano. O crescimento ocorreu mesmo em um contexto de desaceleração no ritmo de abertura de unidades físicas, depois de anos de expansão mais intensa.
A redução no número de sedes está relacionada à diminuição da quantidade de cooperativas singulares, principalmente em razão de incorporações. Já o aumento dos postos de atendimento mostra que o processo de consolidação institucional não eliminou a estratégia de presença territorial. Ao contrário, o segmento reduziu o número de pessoas jurídicas cooperativas, mas continuou ampliando seus pontos de contato com os associados e comunidades.
Cooperativismo financeiro reforça inclusão presencial no país
A expansão territorial das cooperativas de crédito precisa ser analisada em conjunto com a retração da rede bancária. Enquanto bancos tradicionais reduzem agências em diversas localidades, as cooperativas continuam ampliando sua rede física, especialmente por meio de postos de atendimento cooperativo.
Essa presença tem impacto direto sobre a inclusão financeira. Em municípios pequenos, distantes de grandes centros ou com menor atratividade econômica para bancos comerciais, a cooperativa pode ser a principal alternativa para acesso a crédito, contas, pagamentos, aplicações, orientação financeira e relacionamento presencial.
O dado de que mais de mil municípios sem agência bancária contam com cooperativas é especialmente relevante porque demonstra que o cooperativismo financeiro não atua apenas onde o mercado já é consolidado. O modelo também ocupa espaços em que a presença local, o vínculo associativo e a proximidade comunitária são decisivos para manter serviços financeiros acessíveis.
Cobertura das cooperativas ainda é desigual entre regiões
Apesar do avanço nacional, a cobertura territorial das cooperativas de crédito ainda apresenta forte desigualdade regional. No Sul, 97,2% dos municípios contavam com unidades físicas de cooperativas em dezembro de 2025, patamar próximo da universalização.
No Centro-Oeste, a cobertura chegou a 80,3% dos municípios. No Sudeste, o percentual foi de 76,4%. Já no Norte, as cooperativas estavam presentes em 42,2% dos municípios. O Nordeste permaneceu com o menor percentual de cobertura, com apenas 16,1% dos municípios atendidos por unidades físicas de cooperativas de crédito.
Esses números mostram que a expansão do cooperativismo financeiro no Brasil ainda tem grande espaço para avançar. O Sul representa o estágio mais maduro de presença territorial, enquanto o Nordeste aparece como a principal fronteira de crescimento. O Norte também apresenta potencial relevante, embora enfrente desafios próprios de distância, dispersão populacional, infraestrutura e custo de atendimento.
Presença física segue relevante mesmo com avanço digital
O crescimento da rede cooperativa ocorre em um momento de transformação digital acelerada no sistema financeiro. A ampliação dos canais digitais reduziu a dependência de agências para muitas operações, mas não eliminou a importância da presença física, especialmente em regiões onde o relacionamento pessoal segue sendo um diferencial competitivo.
O próprio Banco Central destaca que o SNCC precisará discutir de forma pragmática suas estratégias de atendimento, considerando o custo da presença física e as possibilidades oferecidas pelos canais digitais. No caso das cooperativas, esse equilíbrio é particularmente sensível, pois a proximidade com os associados é uma das características que diferenciam o modelo cooperativo dos demais segmentos financeiros.
Por isso, o desafio não é escolher entre atendimento físico ou digital. O ponto central é combinar eficiência operacional com relacionamento próximo. A presença física pode ser mais seletiva, integrada a ferramentas digitais e orientada a serviços de maior valor agregado, sem perder a identidade cooperativa baseada em vínculo, confiança e participação local.
Principais números da presença territorial cooperativa
Os dados do Panorama SNCC 2025 mostram uma expansão consistente da presença territorial das cooperativas de crédito no Brasil. Entre os principais indicadores, destacam-se:
- Municípios com presença de cooperativas de crédito em 2025: 3.287;
- Municípios com presença de cooperativas em 2021: 2.907;
- Acréscimo entre 2021 e 2025: 380 municípios;
- Municípios com agências do SFN ex-SNCC em 2025: 2.924;
- Municípios com agências do SFN ex-SNCC em 2021: 3.147;
- Redução da rede bancária tradicional entre 2021 e 2025: 223 municípios;
- Cobertura nacional das cooperativas: 59,0% dos municípios brasileiros;
- Unidades de atendimento do SNCC: 10.553;
- Postos de atendimento cooperativo: 9.811;
- Municípios sem agência bancária com presença cooperativa: 1.072;
- Cobertura no Sul: 97,2% dos municípios;
- Cobertura no Nordeste: 16,1% dos municípios.
Cooperativas fortalecem desenvolvimento local
A presença das cooperativas de crédito nos municípios tem efeitos que vão além da oferta de produtos financeiros. Ao manter atendimento local, as cooperativas contribuem para a circulação de recursos na própria comunidade, ampliam o acesso ao crédito e fortalecem vínculos com famílias, produtores rurais, microempreendedores e pequenas empresas.
Esse papel é especialmente importante em localidades onde a agência bancária deixou de existir ou onde a oferta financeira presencial é limitada. Nesses casos, o posto de atendimento cooperativo pode funcionar como ponto de inclusão financeira, orientação, formalização de negócios e apoio à atividade econômica local.
A expansão territorial também reforça uma característica essencial do modelo cooperativo: os recursos captados localmente tendem a retornar para a própria região na forma de crédito, serviços, investimentos e desenvolvimento comunitário. Isso diferencia as cooperativas de instituições financeiras tradicionais e fortalece sua contribuição para o desenvolvimento regional.
Expansão territorial será tema central da nova fase
O avanço das cooperativas de crédito nos municípios brasileiros confirma a relevância do cooperativismo financeiro como instrumento de inclusão e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, os dados mostram que a expansão territorial precisa ser acompanhada por eficiência, planejamento e capacidade de adaptação tecnológica.
Nos próximos anos, o desafio será preservar a proximidade com os associados sem comprometer a sustentabilidade operacional das estruturas físicas. Para isso, as cooperativas precisarão combinar atendimento presencial, canais digitais, inteligência de dados, educação financeira e relacionamento comunitário.
O movimento observado em 2025 indica que o cooperativismo de crédito segue ocupando espaços relevantes no território nacional. A continuidade dessa trajetória dependerá da capacidade de expandir em regiões ainda pouco atendidas, especialmente Norte e Nordeste, mantendo a essência cooperativa e ampliando o impacto econômico e social nas comunidades.
Elaborado pelo Portal do Cooperativismo Financeiro – cooperativismodecredito.coop.br
Conheça o conteúdo completo no Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC).

