Cooperativismo Financeiro lidera a rede de atendimento em SC, PR e MT

A rede de atendimento financeiro no Brasil passa por uma transformação estrutural profunda. Enquanto os grandes bancos tradicionais reduzem de forma consistente sua presença física, o cooperativismo financeiro segue trajetória oposta, ampliando sua capilaridade territorial e reforçando o relacionamento direto com as comunidades locais. Esse movimento se expressa de forma clara em três estados brasileiros — Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso — onde as cooperativas de crédito lideram, individualmente, o número de agências físicas entre as instituições financeiras atuantes em cada território estadual.

Mais do que um dado pontual, essa liderança reflete uma mudança de paradigma no Sistema Financeiro Nacional, com impactos econômicos, sociais e institucionais relevantes.

Um sistema financeiro em retração física

Nos últimos dez anos, o sistema bancário brasileiro passou por um processo acelerado de enxugamento da rede física. Dados do Banco Central indicam que o número de agências bancárias no país caiu de 23.154 em 2015 para 15.529 em 2025, uma redução de 32,9%, com o fechamento de mais de 7,6 mil unidades no período.

Esse movimento foi liderado principalmente pelos grandes bancos comerciais. Instituições como Bradesco e Itaú encerraram, juntas, mais de 4,7 mil agências desde 2015, seguidas por reduções relevantes em Banco do Brasil, Santander e Caixa Econômica Federal. A digitalização dos serviços financeiros, o avanço das fintechs e estratégias de redução de custos explicam parte desse reposicionamento.

Entretanto, a retração física trouxe efeitos colaterais importantes, sobretudo em municípios de pequeno e médio porte, onde o fechamento de agências bancárias tradicionais resultou em vazios de atendimento financeiro e dificuldades de acesso a serviços essenciais.

 O contrafluxo do cooperativismo financeiro: expansão e proximidade

Na contramão desse movimento, o cooperativismo financeiro ampliou sua presença física. Dados do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) mostram que os postos de atendimento das cooperativas cresceram mais de 50% entre 2019 e 2024, movimento que contrasta com a redução da rede física dos grandes bancos comerciais no mesmo período.

Atualmente, as cooperativas de crédito estão presentes em mais de 3.200 municípios brasileiros, o equivalente a cerca de 58% das cidades do país, consolidando‑se como a maior rede de atendimento financeiro do Brasil, superando 10.200 pontos de atendimento físicos em 2025.

Em centenas desses municípios, as cooperativas são a única instituição financeira com presença física, ocupando espaços deixados pelo sistema bancário tradicional e assegurando o acesso da população a serviços financeiros básicos.

Esse modelo reforça o papel do cooperativismo como agente de inclusão financeira e desenvolvimento regional, especialmente em áreas menos atendidas pelo mercado bancário convencional.

Por que SC, PR e MT lideram esse movimento

A liderança das cooperativas em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso não ocorre por acaso. Esses estados reúnem características estruturais que favorecem o modelo cooperativo.

Em Santa Catarina, o cooperativismo é parte integrante da cultura econômica e social. O estado apresenta o maior índice de participação cooperativa do país, com mais de 58% da população associada a cooperativas, sendo as cooperativas de crédito o principal ramo em número de associados. Nesse contexto, sistemas cooperativos superam, individualmente, bancos tradicionais em número de agências físicas no território catarinense.

No Paraná, a forte presença do agronegócio, a interiorização da economia e a tradição cooperativista sustentam redes financeiras com elevada capilaridade territorial. As cooperativas de crédito no estado ampliaram simultaneamente sua base de cooperados, ativos e pontos de atendimento, fortalecendo o vínculo com economias locais e cadeias produtivas regionais.

Já em Mato Grosso, a expansão cooperativa está diretamente associada ao crescimento econômico do interior do estado e à retração do sistema bancário tradicional em municípios médios e pequenos. Em diversas localidades mato‑grossenses, as cooperativas passaram a ocupar posição central no atendimento financeiro presencial, tornando‑se referência para famílias, produtores e empresas locais.

Presença física e estratégia “fisital”

A ampliação da rede física cooperativa não representa resistência à digitalização. Pelo contrário. Os sistemas cooperativos adotaram um modelo integrado, que combina canais digitais eficientes com presença territorial estratégica.

Nesse arranjo, conhecido como modelo “fisital”, a agência deixa de ser apenas um ponto transacional e passa a exercer função de relacionamento, orientação financeira, educação econômica e apoio ao desenvolvimento local, complementando o uso intensivo de soluções digitais pelos cooperados.

Impactos econômicos e sociais do cooperativismo financeiro

Estudos conduzidos por entidades do cooperativismo em parceria com instituições de pesquisa indicam que municípios com presença de cooperativas de crédito apresentam PIB per capita superior, maior geração de empregos formais e crescimento no número de estabelecimentos comerciais.

Esses indicadores ajudam a explicar por que, mesmo em um cenário de digitalização crescente, a presença física cooperativa permanece economicamente sustentável e socialmente relevante, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

Uma mudança estrutural em consolidação

A liderança do cooperativismo financeiro na rede de atendimento em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso evidencia uma mudança estrutural no sistema financeiro brasileiro. Ao combinar capilaridade territorial, governança local, proximidade com o cooperado e integração digital, as cooperativas consolidam‑se como atores estratégicos na oferta de serviços financeiros e no estímulo ao desenvolvimento regional.

Mais do que substituir agências bancárias fechadas, o cooperativismo financeiro afirma‑se como um modelo capaz de responder, de forma sustentável, aos desafios contemporâneos de inclusão financeira, desenvolvimento econômico local e relacionamento de longo prazo com a sociedade.


Fonte: Elaborado pelo Portal do Cooperativismo com dados da MundoCoop

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