BC e Sistema OCB debatem futuro do crédito cooperativo

16 e 17/04/2026 – O Sistema OCB e o Banco Central do Brasil promoveram, nos dias 16 e 17 de abril, um seminário estratégico voltado ao fortalecimento do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC). O evento reuniu lideranças do cooperativismo de crédito e representantes do regulador para discutir temas como regulação, supervisão, capital, cibersegurança e os desafios do setor em um cenário de maior exigência regulatória no Sistema Financeiro Nacional (SFN).

O encontro reforçou o papel crescente das cooperativas de crédito na inclusão financeira, na ampliação da concorrência e no desenvolvimento regional, além de evidenciar a maturidade institucional alcançada pelo segmento.

Diálogo institucional e amadurecimento do setor

Na abertura do seminário, a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, destacou a importância do diálogo permanente com o Banco Central e o momento de amadurecimento vivido pelo cooperativismo de crédito. Segundo ela, o encontro foi essencial para o alinhamento institucional e para o debate de temas sensíveis e estratégicos para o setor.

A dirigente também ressaltou o impacto social das cooperativas de crédito, que hoje estão presentes em centenas de municípios brasileiros — muitos deles sem outra instituição financeira — ampliando o acesso ao crédito e aos serviços financeiros.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a relevância do cooperativismo para o SFN. Para ele, os princípios cooperativistas fortalecem vínculos de confiança, promovem inclusão financeira, ampliam a concorrência e contribuem para o desenvolvimento regional. Galípolo destacou ainda que a evolução regulatória acompanha o crescimento do setor, trazendo novas responsabilidades em capital, controles e gestão.

Supervisão auxiliar e ganhos de eficiência

O primeiro painel técnico abordou o tema Supervisão auxiliar no SNCC: práticas avançadas para eficiência e proporcionalidade. O debate destacou a supervisão auxiliar como instrumento de fortalecimento do sistema, permitindo uma atuação mais próxima da realidade das cooperativas e alinhada às suas particularidades.

Os participantes ressaltaram a evolução do modelo de supervisão no país, com foco no caráter preventivo, na antecipação de riscos e no acompanhamento contínuo das instituições. O uso intensivo de dados, tecnologia e a troca de experiências entre os sistemas cooperativos foram apontados como fatores determinantes para ganhos de eficiência e maior consistência na gestão de riscos.

Autorizações mais ágeis e processos padronizados

O segundo painel tratou do Processo de autorização auxiliar no cooperativismo de crédito, trazendo reflexões sobre os avanços na agilidade e na padronização dos fluxos autorizativos. Entre os ganhos destacados estão a redução do tempo de análise de demandas como eleições e alterações estatutárias.

O debate evidenciou o fortalecimento do papel das centrais, que passaram a atuar de forma mais ativa na validação, orientação e acompanhamento dos processos, contribuindo para maior alinhamento entre as cooperativas, reforço da governança e amadurecimento institucional do setor.

Capital, regulação e sustentabilidade do SNCC

No segundo dia de programação, o foco esteve nos temas estruturais, com destaque para o painel Capital no SNCC em transição: equilíbrio entre avanços regulatórios e novas exigências. As discussões abordaram a mudança no modelo regulatório, que passa a exigir maior aderência ao risco real das operações e mais robustez na gestão de capital.

Entre os pontos centrais esteve a Resolução CMN nº 5.223/2025, que instituiu o Mecanismo de Compartilhamento de Riscos (MCR). O instrumento busca ganhos de eficiência no uso do capital, ao mesmo tempo em que exige estruturas mais sofisticadas de governança, gestão de riscos e mecanismos de proteção sistêmica.

Também foram debatidas as novas exigências de capital mínimo previstas na Resolução Conjunta nº 14, que consideram a complexidade das atividades das instituições autorizadas, alinhando capital, risco e operação para um crescimento mais sustentável.

Cibersegurança e proteção ao cidadão

Encerrando o seminário, o painel Cibersegurança e integridade no SNCC destacou o avanço dos riscos cibernéticos no sistema financeiro e a necessidade de uma atuação cada vez mais preventiva. Os participantes reforçaram que a segurança vai além da tecnologia, envolvendo governança, cultura organizacional e capacitação contínua.

Entre as iniciativas apresentadas, ganhou destaque o BC Protege+, ferramenta do Banco Central voltada à proteção do cidadão e ao combate a fraudes, além do uso crescente de dados e inteligência para a identificação de comportamentos suspeitos.

Conteúdo disponível

O seminário completo está disponível no canal do YouTube do Sistema OCB.


Elaborado pelo Portal do Cooperativismo Financeiro, com informações da OCB

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