O movimento em que bancos fecham agências e cooperativas avançam tem redesenhado o acesso aos serviços financeiros em Minas Gerais. Impulsionado pela digitalização e pelas mudanças no comportamento dos clientes, grandes instituições financeiras vêm reduzindo sua presença física, enquanto as cooperativas de crédito ampliam o atendimento presencial, sobretudo em municípios do interior.
Fechamento de agências redefine o atendimento
A redução das estruturas físicas já apresenta números expressivos. Entre abril de 2024 e abril de 2026, Minas Gerais perdeu 254 agências bancárias, o que representa uma queda de 15,7%. Em Belo Horizonte, o recuo foi ainda maior, com o encerramento de 83 unidades, equivalente a 26,3%.
Além disso, 21 municípios mineiros ficaram sem qualquer agência bancária no período, ampliando o desafio de acesso ao atendimento presencial e reforçando o chamado “vazio bancário”. Esse cenário evidencia uma mudança estrutural no sistema financeiro, cada vez mais orientado por canais digitais.
Digitalização acelera transformação do setor
A digitalização é o principal motor dessa transformação. Atualmente, cerca de 97% das transações de pessoas físicas já são realizadas por canais digitais, como aplicativos e internet banking, reduzindo a necessidade de estruturas físicas tradicionais.
Ferramentas como o Pix, utilizadas por cerca de 80% da população brasileira, contribuíram para esse avanço ao tornar pagamentos e transferências mais rápidos, acessíveis e eficientes. Além disso, o crescimento das fintechs ampliou o acesso aos serviços financeiros, especialmente entre as classes C, D e E.
A pandemia também teve papel relevante nesse processo, acelerando a adesão aos canais digitais, inclusive por públicos antes menos familiarizados com a tecnologia.
Estratégia e custos influenciam decisões dos bancos
O fechamento de agências está diretamente ligado à estratégia das instituições financeiras. Com o avanço digital, o custo de manutenção de estruturas físicas se torna elevado frente ao volume de operações realizadas online.
Bancos tradicionais têm priorizado modelos mais eficientes, investindo em experiências digitais personalizadas e, em alguns casos, adotando formatos híbridos que combinam presença física mais enxuta com atendimento digital ampliado.
Cooperativas ocupam espaço e ampliam presença
Enquanto os bancos recuam, o cooperativismo de crédito segue em expansão. Em 2026, Minas Gerais conta com 1.698 postos de atendimento cooperativo, número 40,9% superior ao registrado em 2020.
As cooperativas já estão presentes em 697 municípios mineiros, o equivalente a 81,7% das cidades do estado. Em mais de 80 municípios, inclusive, elas se tornaram a única alternativa de atendimento financeiro presencial.
Outro indicador relevante reforça essa tendência: nos locais onde bancos encerram suas atividades, a abertura de contas em cooperativas cresce, em média, 1,8 vez nos meses seguintes.
Atendimento presencial segue como diferencial
Apesar do avanço digital, o atendimento presencial continua sendo essencial para diversos públicos. Pessoas com baixa maturidade digital, idosos, pequenos empreendedores e produtores rurais ainda dependem de orientação mais próxima para acessar serviços financeiros.
Nesse contexto, o modelo cooperativista se destaca pelo atendimento consultivo e personalizado, oferecendo suporte não apenas em operações básicas, mas também em decisões mais complexas, como financiamentos e investimentos.
A proximidade com a comunidade também fortalece a relação com os associados e amplia o papel das cooperativas no desenvolvimento local.
Impacto econômico fortalece o cooperativismo
A expansão das cooperativas de crédito gera efeitos diretos na economia. Estudos indicam que cada R$ 1 concedido em crédito pode gerar R$ 2,56 em atividade econômica, além da criação média de 22,8 empregos a cada R$ 1 milhão emprestado.
Em Minas Gerais, o setor movimentou R$ 83,2 bilhões em 2024, com destaque para o crédito rural, que alcançou R$ 13,7 bilhões, evidenciando o crescimento e a relevância dessas instituições no apoio ao setor produtivo.
A presença das cooperativas contribui para manter recursos nas comunidades, estimular o consumo local e fortalecer economias regionais.
Interiorização amplia inclusão financeira
Outro fator que impulsiona o crescimento do cooperativismo é sua capacidade de atuar em municípios de pequeno porte. Diferentemente dos bancos tradicionais, as cooperativas conseguem adaptar seu modelo de atendimento à realidade local, viabilizando operações mesmo em regiões com menor renda.
Mudanças regulatórias também contribuíram para esse avanço, como a possibilidade de prefeituras movimentarem recursos em cooperativas, ampliando sua sustentabilidade em cidades menores.
Desafio é equilibrar tecnologia e proximidade
O cenário em que bancos fecham agências e cooperativas avançam reforça um desafio importante: equilibrar eficiência digital com inclusão financeira.
Embora o uso de canais digitais continue crescendo, a presença física ainda é essencial para garantir acesso a serviços financeiros em comunidades menores e para públicos que necessitam de atendimento mais próximo.
Nesse contexto, o cooperativismo de crédito se consolida como um modelo híbrido, que combina inovação tecnológica com relacionamento, proximidade e desenvolvimento local.
Fonte: Diário do Comércio – reportagem “A era pós-agência: por que os bancos estão deixando o interior enquanto as cooperativas avançam”, publicada em 15 de junho de 2026.
Elaborado pelo Portal do Cooperativismo Financeiro – cooperativismodecredito.coop.br

