Plano Safra

Plano Safra 26/27 para a Agricultura Familiar

Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27: Pronaf sobe para R$ 85,2 bilhões e governo reduz juros

O governo federal lançou nesta terça-feira (30/6), em cerimônia às 18h no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Fernanda Machiaveli, o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27. O programa terá R$ 85,2 bilhões em crédito pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)

O crédito da agricultura familiar cresceu 9% e contrariou a expectativa de manutenção das taxas de juros: as principais linhas do Pronaf terão cortes de 0,5 a 1 ponto percentual no novo ciclo, que vigora de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027. O valor é superior aos R$ 78,2 bilhões do ciclo 2025/26 e ficou acima do pedido inicial do próprio MDA, de R$ 82 bilhões.

Mais relevante que o aumento do montante, porém, foi a decisão sobre os juros. A expectativa inicial era de manutenção das alíquotas, mas o MDA conseguiu, nas negociações com a equipe econômica, cortes nas principais linhas de custeio e investimento. É um movimento que reforça a natureza quase integralmente subsidiada do Pronaf — o segmento do crédito rural em que a parcela equalizada, e não o número global, define o custo efetivo para o produtor.

Mais crédito e um pacote total de R$ 97,3 bilhões para a Agricultura Familiar

No crédito propriamente dito, o Pronaf passa dos R$ 78,2 bilhões de 2025/26 para R$ 85,2 bilhões, alta de 9%. Quando se considera o pacote completo — crédito mais as demais políticas de apoio à agricultura familiar —, o total sobe de R$ 89 bilhões para R$ 97,3 bilhões, avanço de 9,3%.

Em perspectiva histórica, o crédito do Pronaf saiu de R$ 76,0 bilhões em 2024/25 para R$ 78,2 bilhões em 2025/26 (+2,9%) e agora R$ 85,2 bilhões — a maior elevação anual recente do programa. A forte demanda confirma a relevância: até maio, já haviam sido acessados R$ 64,5 bilhões, quase 80% do total do ciclo anterior.

Juros menores, com foco em alimentos e agroecologia

Não houve aumento de taxas em nenhuma linha da agricultura familiar: ocorreram apenas manutenções ou reduções. Em relação ao plano anterior (2025/2026), que tinha taxas de 2% a 8%, o custeio geral passa a ter juros entre 1% e 7,5% ao ano. Para investimentos em máquinas e equipamentos, as taxas variam de 1% a 5%, podendo chegar a 7,5% para outras finalidades.

Principais alterações nas taxas de juros anuais:

  • Custeio (Alimentos Básicos): redução de 3% para 2%
  • Custeio (Sociobiodiversidade, Agroecologia e Orgânicos): redução de 2% para 1%
  • Custeio (Soja e Bovinocultura de Corte): redução de 8% para 7,5%
  • Custeio (Milho, café, frutas e outras criações): redução de 6,5% para 5,5%
  • Investimento “Mais Alimentos” (Matrizes, Reprodutores, Caminhonetes): redução de 8% para 7,5%
  • PRONAF Faixa 1 (Cultivo protegido, ordenhadeiras, PRONAF Mulher etc.): redução de 3% para 2%
  • PRONAF Investimento Faixa 3 (Máquinas de pequeno porte): redução de 2,5% para 1,5%
  • Microcrédito (Grupo B): mantido em 0,5%
  • PRONAF (Tratores e Colheitadeiras): mantida em 5%

R$ 12,1 bilhões em outras ações

Além do crédito, o MDA anunciou R$ 12,1 bilhões em aportes federais para compras públicas, seguro e assistência técnica, o que eleva o pacote total a R$ 97,3 bilhões.

Desse montante, R$ 6,6 bilhões vão para o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e R$ 3,65 bilhões para compras públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Outros R$ 1,1 bilhão são destinados ao Garantia-Safra, R$ 749 milhões à assistência técnica e extensão rural (ATER) e R$ 20 milhões à Garantia de Preço Mínimo da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio).

O total do Plano Safra

Somados o crédito da agricultura familiar e o da agricultura empresarial, o Plano Safra 2026/27 alcança R$ 610,3 bilhões, incremento nominal de 2,7% sobre os R$ 594,4 bilhões do ciclo 2025/26. Para referência, a agricultura empresarial contou com R$ 516,2 bilhões em 2025/26, com juros de custeio entre 10% e 14% ao ano — patamares que só serão atualizados com o detalhamento das linhas empresariais.

O plano da agricultura empresarial 2026/27 havia sido anunciado na manhã desta terça-feira, em cerimônia conduzida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin — Lula participava da cúpula do Mercosul, no Paraguai, e retornou a Brasília para o lançamento da agricultura familiar, à tarde.

A base regulatória já estava posta

Antes mesmo do anúncio, o Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou em 25 de junho duas resoluções, em vigor a partir de 1º de julho, que sustentam o novo ciclo. A Resolução CMN nº 5.314/2026 reorganiza, no Manual de Crédito Rural, a classificação das fontes de recursos — por origem, em direcionadas e livres; por condições, em controladas e não controladas —, autoriza a prorrogação de dívidas aos mesmos encargos mediante dificuldade temporária comprovada, exige a identificação da fonte no contrato e veda financiar, com recursos direcionados e controlados, projetos que prevejam supressão de vegetação nativa. Já a Resolução CMN nº 5.315/2026 atualiza as alíquotas do Proagro — com redução do custo médio ao beneficiário sem aumento de despesa para o Tesouro —, admite vistoria única em perdas parciais de alta gravidade e reforça a comprovação documental das vistorias.

O que ainda será divulgado

Esta matéria será complementada à medida que as informações forem oficializadas. Seguem pendentes de detalhamento o valor e as taxas por linha da agricultura empresarial 2026/27, o desenho do novo seguro rural e o volume de subvenção, além das condições operacionais e de liberação dos recursos.


Elaborado pelo Portal do Cooperativismo Financeiro

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